
Enquanto deusa da caça e da lua Ártemis era uma personificação do espírito feminino independente. O arquétipo que ela representa possibilita a uma mulher procurar seus próprios objetivos num terreno de sua própria escolha.
A Deusa Virgem
Como deusa virgem, Ártemis era imune de se apaixonar. Não foi raptada nem violada, como Perséfone e Deméter, e nunca foi metade de um par marido-mulher. Como arquétipo de deusa virgem, Ártemis representa um sentido de integridade, uma-em-si-mesma, uma atitude de "sei cuidar de mim mesma" que permite à mulher agir por conta própria, com autoconfiança e espírito independente. Esse arquétipo possibilita à mulher sentir-se completa sem um homem. Com isso ela pode sair ao encalço de interesses e trabalho que são significativos para ela, sem precisar da aprovação masculina. Sua identidade e senso de valor se baseiam sobre o que ela é e faz, e não tanto no fato de ser casada, ou com quem. Sua insistência em ser tratada de "senhorita" expressa uma qualidade de deusa virgem típica de Ártemis, que enfatiza a independência e a separação dos homens.
A Arqueira Meta-Direcionada
Como deusa da caça no encalço do animal escolhido, a arqueira Ártemis podia objetivar qualquer alvo, perto ou distante, e podia estar ciente de que suas flechas alcançariam sem erro o alvo. O arquétipo de Ártemis dá às mulheres a habilidade inata de se concentrarem intensamente naquilo que lhes é importante; também lhes permite ficarem imperturbáveis em seu trajeto, tanto pelas necessidades de outros como pela competição com outros. Em todo caso a competição eleva o excitamento "da caça". O enfoque do objetivo e a perseverança apesar dos obstáculos no caminho, ou ainda o esquivamento da caça, são qualidades de Ártemis que conduzem a empreendimentos e realizações. Esse arquétipo torna possível atingir a meta que ela própria tiver escolhido.
Arquétipo do Movimento Feminista
Ártemis representa as qualidades idealizadas pelo movimento feminista - empreendimento e competência, independência dos homens e das opiniões masculinas, e preocupações pelos atormentados, pelas mulheres fracas e pelas jovens. A deusa Ártemis ajudou sua mãe Leto no parto, livrou Leto e Aretusa de serem violadas e puniu o pretensioso deflorador Títio e o intruso caçador Actéon. Ela era protetora das jovens, especialmente das garotas na pré-adolescência. Essas preocupações de Ártemis assemelham-se às preocupações do movimento feminista que têm conduzido à organização das clínicas de pessoas estupradas, legítima defesa das camadas sociais, socorro às mulheres sexualmente hostilizadas e refúgio para as mulheres maltratadas. O movimento feminista tem enfatizado o parto cuidadoso, o trabalho da parteira; tem estado preocupado com o incesto e a pornografia, e é motivado por um desejo de evitar o mal às mulheres e crianças e de punir aqueles que praticam tais danos.
A Irmã
A deusa Ártemis era acompanhada por um séquito de ninfas, divindades de menor importância que se associavam às montanhas, florestas e riachos. Viajavam com ela, explorando e caçando em terreno selvagem. Não eram coagidas pela domesticidade ou pelas idéias do que as mulheres deveriam estar fazendo, e estavam além do controle dos homens ou das preferências masculinas. Eram como "irmãs" tendo Ártemis como arquétipo da "grande irmã", que as conduzia e a quem elas podiam apelar por ajuda. Não é portanto de se admirar que o movimento feminista enfatize a "irmandade" das mulheres, pois Ártemis é o seu arquétipo inspirador. Gloria Steinem, fundadora e editora da revista Ms., é uma mulher contemporânea que personifica aspectos do arquétipo de Ártemis. Steinem tornou-se uma personalidade mítica, maior que a pessoa, para todas as mulheres que projetam nela a imagem da deusa. Gloria Steinem é muito conhecida do público, líder do movimento feminista, e lá na imaginação está uma alta e graciosa Ártemis, de pé entre suas companheiras. As mulheres que se alinham com os objetivos e aspirações do movimento feminista freqüentemente admiram e identificam Gloria Steinem como personificação de Ártemis. Essa identificação era especialmente verdadeira no princípio dos anos 70, quando muitas mulheres usavam óculos de aviadores e imitavam o estilo de seu cabelo lindo e esvoaçante, repartido ao meio. Dez anos mais tarde a competição exterior foi substituída por esforços de serem mulheres como ela, com poder pessoal e independência. A mística de Ártemis que envolve o papel e a apresentação de Steinem é intensificada pelo seu estado civil de solteira. Embora tenha se unido romanticamente com diversos homens, ela não se casou - isso apropriadamente para uma mulher que representa uma deusa virgem "uma-em-si-mesma", que "não pertence a nenhum homem". Steinem está na tradição de Ártemis naquele apelo de ajuda que as mulheres lhe fazem, e como grande irmã ela a proporciona. Senti diretamente seu amparo quando lhe pedi que viesse aos encontros anuais da Associação Americana de Psiquiatria para ajudar aquelas de nós que estavam tentando fazer com que a APA (American Psychiatric Association=Associação Psiquiátrica Americana) apoiasse o boicote do movimento feminista dos estados que não tinham homologado a Emenda dos Direitos de Igualdade (ERA=Equal Rights Amendment). Fiquei encantada ao notar quanto poder foi atribuído a Gloria Steinem por muitos homens que "a tinham ofendido", e que depois reagiram como se estivessem partilhando do destino de Actéon, Alguns psiquiatras do sexo masculino que se opuseram a ela na verdade expressavam medos infundados de que poderiam ficar financeiramente arruinados ou perder a subvenção para pesquisa, caso essa "deusa" fosse exercer seu poder para os punir e destruir.
A Ártemis voltada para a natureza
Em sua afinidade com a selva e a natureza não doméstica, Ártemis é o arquétipo responsável pela identificação que algumas mulheres experimentam entre si mesmas e a natureza, quando saem com mochilas pelas montanhas arborizadas, adormecem sob a lua e as estrelas, ou caminham numa praia deserta, ou fitam o deserto e sentem-se em comunhão com a natureza LynnThomas descreve, no TheBackpacking Woman, a percepção de uma mulher apreciando a selva através da natureza de Ártemis: Para começar há majestade e silêncio, água límpida e ar puro. Há também a dádiva da distância... a oportunidade de encontrar-se distante dos relacionamentos e do ritual diário... e a dádiva da energia. A selva nos infunde um tipo especial de energia. Eu me lembro de certa vez estar deitada perto do rio Snake em Idaho, e de ter-me conscientizado de que não poderia dormir... as forças da natureza tinham-me na mão. Fiquei mergulhada numa dança de íons e átomos. Meu corpo respondia à penetrante atração da Lua.
A "visão do luar"
A clareza de enfoque da caçadora Ártemis na percepção do alvo é um dos modos de "observação" associados com Ártemis. A "visão do luar" também é característica de Ártemis como deusa da lua. Vista ao clarão da lua, uma paisagem é silenciosa, os detalhes são vagos, bonitos e muitas vezes misteriosos. A visão da pessoa é atraída para o alto, para o céu estrelado ou para uma vasta e panorâmica visão da natureza. Ao luar uma pessoa em comunicação com Ártemis torna-se uma parte da natureza não consciente de si mesma, dentro dela e identificada com ela por algum tempo. Em seu livro Women in the Wilderness, China Galland enfatiza que quando as mulheres caminham pela selva elas também caminham interiormente: penetrar na selva envolve a selva que existe em todas nós. Esse pode ser o valor mais profundo de tal experiência, reconhecimento do nosso parentesco com a natureza. As mulheres que seguem Ártemis na selva descobrem caracteristicamente que estão se tornando mais reflexivas. Muitas vezes seus sonhos ficam mais vividos que o usual, o que contribui para sua visão interior. Elas vêem o espaço interior e os símbolos dos sonhos ao "clarão do luar", por assim dizer, em contraste com a realidade perceptível, que é mais bem avaliada à clara luz do dia.
Cultivando Ártemis
As mulheres que se identificam com Ártemis reconhecem imediatamente sua afinidade com essa deusa. Outros tipos de mulheres podem também se tornar cientes de sua necessidade de desenvolver a familiaridade com ela. E outras mulheres ainda reconhecem que Ártemis vive nelas e compreendem que têm necessidade dela para se tornar um aspecto mais influente de si próprias. Como poderemos cultivar Ártemis? Ou intensificar esse arquétipo? E como poderemos encorajar o desenvolvimento de Ártemis em nossas filhas? Algumas vezes o objetivo de desenvolver Ártemis requer medidas drásticas. Por exemplo, uma talentosa escritora, cujo trabalho era significativo para ela, repetidamente o abandonava a cada vez que um homem surgia em sua vida. Inicialmente cada homem era inebriante. Logo ele se tornava uma necessidade. Sua vida daria voltas em torno dele, e se ele se tornasse distante ou rejeitador ela se tornava cada vez mais perdida. Depois que uma amiga comentou que ela estava viciada em homens, ela percebeu o padrão e decidiu que se fosse levar a sério seus escritos teria que dar um "basta" e renunciar aos homens por certo período de tempo. Deslocou-se para fora da cidade, apenas ocasionalmente revendo velhos amigos, enquanto cultivava o isolamento, o trabalho e Ártemis e seu interior. A mulher que se casa jovem freqüentemente passa de filha a esposa (arquetipicamente Perséfone e depois Hera), e pode descobrir e valorizar as qualidades de Ártemis somente após um divórcio, quando vive sozinha pela primeira vez na vida. Tal mulher pode tirar férias por conta própria e descobrir que pode ter uma boa temporada, ou descobrir as satisfações de poder correr diversas milhas cada manhã, ou apreciar ser membro de um grupo feminino de assistência. Ou a mulher pode ter uma série de relacionamentos, sentir-se inútil nos intervalos entre um e outro homem e desenvolver Artemis apenas quando ela "renuncia aos homens" e seriamente conclui que nunca poderá se casar. Uma vez que tenha a coragem de encarar essa possibilidade e de organizar sua vida ao redor de seus amigos e daquilo que lhe interessa, ela pode ter um sentimento de inteireza em-si-mesma, um inesperado bem-estar que surge do desenvolvimento do arquétipo de Artemis. Os programas na selva para mulheres evocam Artemis, especialmente aqueles que combinam as experiências grupais com uma heróica jornada desacompanhada. Quando as mulheres saem em viagens ou aventuras fantasiosas para mulheres, elas cultivam o arquétipo de Artemis. Da mesma forma quando nossas filhas competem nos esportes, freqüentam acampamentos de jovens, viajam para explorar novos lugares, vivem em culturas estrangeiras como estudantes em intercâmbio ou unem-se ao Corpo de Paz, elas ganham experiências que podem desenvolver a auto-suficiente Artemis.
A Mulher tipo Artemis
As qualidades de Artemis aparecem cedo. Usualmente uma bebê-Artemis é aquela que olha de modo absorvente para novos objetos e é mais ativa do que passiva. As pessoas muitas vezes comentam sobre sua capacidade de concentrar-se numa tarefa auto-selecionada: "ela tem um poder de concentração surpreendente para uma criança de dois anos", ou "ela é uma criança cabeçuda," ou "cuidado com o que você lhe promete, porque ela tem memória de elefante: não se esquecerá, e cobrará a promessa". A inclinação de Artemis para explorar um novo território usualmente começa quando ela consegue levantar-se e vencer o berço de grades altas, saindo do cercadinho para penetrar num mundo maior. Artemis tem a tendência de se sentir firme a respeito de suas causas e princípios. Ela pode defender alguém menor ou afirmar com veemência que "isso não está certo!", antes de se envolver em alguma campanha para corrigir um erro. As garotas tipo Artemis que cresceram em famílias que favoreciam os filhos homens - dando aos jovens pequenas tarefas - não aceitam humildemente essa injustiça como um "dado". A feminista em flor é vista como a pequena irmã que exige igualdade.
Os pais
A mulher tipo Artemis que seguramente prossegue em sua trajetória própria, que se sente bem durante todo o tempo pelo que ela é enquanto pessoa, contente com o fato de ser mulher, muitas vezes tem o equivalente de uma amável Leto e de um aprobativo Zeus para ajudá-la a pôr em prática sua potencial Artemis. Para a mulher tipo Artemis competir, desenvolver-se com sucesso e sem conflito, é muito importante a aprovação paterna. Muitos pais apoiadores são como Zeus, ao proporcionarem "dádivas" que a ajudarão a fazer o que ela quer. Talvez as dádivas sejam inatingíveis: interesses compartilhados ou semelhanças com ele próprio, que ele reconhece e encoraja. Ou podem ser dádivas mais tangíveis, tais como lições especiais e equipamento. Por exemplo, a campeã de tênis Chris Evert Lloyd foi treinada por seu pai técnico de tênis, Jimmy Evert, que lhe forneceu suas próprias raquetes de tênis quando ela tinha seis anos de idade. Quando a filha tipo Artemis tem mãe e pai não tradicionais, embora a vida não se assemelhe mais ao monte Olimpo, não há equivalente na mitologia grega. Quando ambos compartilham igualmente a educação da criança e os trabalhos domésticos e cada um tem uma carreira, a filha tipo Artemis tem um modelo para crescimento que lhe permite valorizar e desenvolver as qualidades de Artemis. Além do mais, ela pode agir assim sem considerar tais qualidades como incompatíveis com a maternidade ou os relacionamentos. Os problemas surgem quando os pais criticam ou rejeitam uma filha tipo Artemis por não ser a garota que eles gostariam que ela fosse. A mãe que quer uma garotinha tranqüila, ponderada, e que, pelo contrário, tem uma criança ágil, do tipo "não me prenda", pode sentir-se desapontada ou rejeitada por ela. A mãe que espera que a filha a siga de perto, recorra a ela buscando ajuda, e documente admita que "a mãe sabe melhor", não terá suas esperanças satisfeitas se tiver uma filha tipo Artemis. Mesmo aos três anos de idade, "a pequenina senhorita independente" não quer ficar em casa com a mamãe, pois prefere brincar com garotas maiores pelo quarteirão abaixo. E não gosta de usar roupas cheias de babados, ou de bancar a engraçadinha para as amigas de sua mãe. Mais tarde, quando Artemis quer fazer algo que requeira a permissão dos pais, ela pode encontrar oposição. Se os meninos fazem alguma coisa que ela não pode fazer "porque é menina", ela pode berrar em protesto. E pode se afastar ressentida, caso seus protestos não tenham eficácia. A oposição e a desaprovação podem ferir sua auto-estima e autoconfiança, especialmente se seu admirado pai criticá-la por não estar sendo elegante e nunca tratá-la como "sua garota especial", sendo, ao mesmo tempo, desdenhoso ou crítico de suas idéias, habilidades e aspirações. Em minha prática, examino o que aconteceu quando tais pais se opunham às suas filhas tipo Artemis. Tipicamente, a garota mantinha uma atitude desafiante no exterior, mas interiormente estava magoada. Ela aparentava ser forte e não influenciada pelo que ele pensava, esperando o momento em que pudesse agir por conta própria. As conseqüências variam em intensidade e rigor, mas seguem um padrão: o que resulta é uma mulher que se sente em conflito a respeito de sua capacidade e muitas vezes pratica sabotagem consigo mesma - suas próprias dúvidas são seus piores inimigos. Embora na superfície afortunadamente resistisse ao poder do pai que limitava suas aspirações, ela incorporava sua atitude crítica dentro da sua psique. Luta profundamente com sentimentos de que não é suficientemente boa, hesita quando novas oportunidades são oferecidas, realiza menos do que é capaz de realizar e, até mesmo quando é bem sucedida, ainda se sente inadequada. Esse padrão é culturalmente produzido por famílias e culturas que atribuem maior valor aos filhos do que às filhas, e que esperam que as filhas sejam estereotipadamente femininas.
Certa mulher tipo Artemis que freqüentou um seminário ministrado por mim, comentou: "Minha mãe queria uma Perséfone, uma submissa filhinha da mamãe, e meu pai queria um filho. O que eles tiveram foi eu". Algumas mães de filhas tipo Artemis são também rejeitadoras e críticas com suas filhas porque estas perseguem objetivos que elas não valorizam. Suas filhas usualmente não ficam dissuadidas por causa dessa desaprovação que, todavia, torna-se gradativamente destrutiva. Contudo, o peso do negativismo da mãe é usualmente menor do que o do pai, por causa da grande autoridade que o pai exerce. Outra dificuldade comum entre mãe e filha, que as filhas tipo Artemis têm, é com as mães que elas vêem como passivas e fracas. Suas mães podem ter sido deprimidas, vitimadas pelo álcool, por um mau casamento, ou imaturas. Quando elas descrevem seus relacionamentos com a mãe, muitas filhas tipo Artemis nessa configuração dizem: "Eu era minha mãe". Ao discorrerem mais, exprimem sua tristeza por não terem mãe forte e por não serem suficientemente fortes para mudar a vida da mãe. Enquanto a deusa Ártemis foi sempre capaz de ajudar sua mãe Leto, os esforços das filhas tipo Ártemis para proteger a mãe são freqüentemente mal sucedidos. A desvalorização e a falta de respeito pela fraca mãe reforçam as qualidades de deusa virgem das filhas tipo 'Ártemis. Determinadas a não ficar como a mãe, elas sufocam sentimentos de dependência, evitam expressar vulnerabilidade e juram tornar-se independentes. Quando uma filha tipo Ártemis carece de respeito pela mãe cujos papéis principais foram os tradicionais, ela fica num aperto. Ao rejeitar a identificação com a mãe, ela comumente rejeita o que é considerado feminino - suavidade, receptividade e movimento em direção ao casamento e à maternidade. Ela fica atormentada por inadequabilidade de sentimentos - desta vez no domínio da sua identificação feminina.
Adolescência e juventude
Enquanto garota, a mulher tipo Ártemis é tipicamente uma competidora natural, com perseverança, coragem e vontade de vencer. Na perseguição de qualquer meta ela vai à frente até ao limite. Ela pode se tornar escoteira - andando a pé, escalando, dormindo fora, manejando um machado para cortar lenha para a fogueira ou, como a própria Ártemis, tornando-se uma perita arqueira. A inconfundível adolescente Ártemis é a garota "louca por cavalo", cujo mundo gira em torno de cavalos. A heroína do clássico filme National Velvet personifica o arquétipo da adolescente Ártemis. A adolescente Ártemis é uma garota com traços de independência e tendência para a exploração. Ela se aventura pelas florestas, escala morros, ou quer ver o que está no próximo quarteirão e no seguinte. "Não me prenda" e "não pise em mim" são seus lemas. Enquanto garota, ela é menos ajustada ou compromissada do que muitos de seus parceiros, porque é menos motivada pela ânsia de agradar aos outros e porque usualmente sabe o que quer. Essa segurança pode repercutir nela, contudo: outros podem considerá-la "cabeçuda", "teimosa" e "não feminina." Quando a mulher tipo Ártemis sai de casa para a faculdade ela aprecia a alegria da independência e o desafio competitivo daquilo que lhe interessa. Usualmente encontra um grupo de mentalidade semelhante para dele participar. Se ela for política, pode ficar fora, fazendo campanha. E se ela for ávida por condicionamento físico, pode na verdade estar correndo muitas milhas por dia, deleitando-se com sua força e graça, apreciando o estado reflexivo em que entra sua mente enquanto ela corre. Ainda estou para encontrar uma mulher que tenha corrido numa maratona e não tenha um forte traço de Ártemis, responsável pela combinação do objetivo enfocado, competitividade e vontade que são requeridas. Ártemis também é encontrada em mulheres esquiadoras, que traçam sua trajetória montanha abaixo, instintivamente, sempre inclinadas para diante, numa atitude física e psicológica que sem hesitação as impulsiona para a frente, desafiadas pelas dificuldades.
O trabalho
A mulher tipo Ártemis empenha-se no trabalho que tem valor subjetivo para ela. E estimulada pela competição e não se amedronta com oposição. A mulher tipo Ártemis que ingressou numa profissão de assistência ou num setor legal comumente tem um ideal que influenciou sua escolha. Se ela estiver no comércio, provavelmente iniciou com um produto no qual acreditava, ou talvez com aquele que a ajudou a fazer algo que ela queria. Se estiver num setor criativo, mais provavelmente estará expressando uma visão pessoal. Se ingressou na política, é advogada de uma causa, tendo usualmente mais a ver com as questões ambientais ou feministas. O sucesso mundano - fama, poder ou dinheiro - pode vir ao seu encontro, se ela se destacar era algo gratificante. Contudo, os interesses perseguidos por muitas mulheres tipo Artemis não terá nenhum valor comercial, e não conduzem a uma carreira, nem intensificam a reputação ou os recursos. Algumas vezes, ao contrário, o interesse é tão pessoal ou fora do comum, tão absorvente quanto ao tempo, que a falta de sucesso no mundo ou a falta de relacionamento são garantidos. Contudo, a busca é pessoalmente realizadora para o elemento Artemis na mulher. Por exemplo, a advogada da causa perdida, a reformadora desconsiderada, a "voz clamando no deserto" à qual ninguém parece prestar atenção é mais provavelmente uma mulher tipo Artemis, podendo ser a artista que continua trabalhando sem nenhum encorajamento ou sucesso comercial. (No caso da artista, Afrodite, com sua influência a criatividade e ênfase na experiência subjetiva, junta-se a Artemis.) Pelo fato de a mulher tipo Artemis não ser tradicional, no seu interior podem surgir conflitos consigo mesma ou com os outros, conflitos que podem incapacitar seus esforços. O que ela quer fazer pode "estar fora de seus limites", por exemplo, caso sua família considere suas aspirações como impróprias para uma família. A escolha da carreira que ela quer seguir pode ter sido há pouco encerrada. Se ela tivesse "acordado bem cedo" para o movimento feminista, ela poderia ter sido derrotada por obstáculos e falta de apoio, e seu espírito de Artemis poderia ter sido esmagado.
Relação com as mulheres: fraternal
Em certo sentido as mulheres tipo Artemis têm senso de associação com outras mulheres. Como a própria deusa, que se cercava da companhia das ninfas, as mulheres tipo Artemis usualmente consideram sua amizade com outras mulheres muito importante. Esse padrão remonta à escola primária. Elas têm "melhores amigas", com as quais compartilham tudo o que é significativo em suas vidas, e suas amizades podem eventualmente durar décadas. No mundo do trabalho, as mulheres tipo Artemis se associam facilmente com suas antigas amigas. Grupos de apoio, grupos de amigas antigas, e relacionamentos mentores com mulheres mais jovens em seus setores de atividade, são expressões naturais do arquétipo da irmã. Até mesmo as mulheres tipo Artemis que são individualistas e evitam grupos apoiam quase sempre os direitos das mulheres. Essa atitude pode refletir uma afinidade com sua mãe, através da qual elas desenvolveram percepção e solidariedade pelo destino das mulheres no mundo. Ou a atitude pode estar relacionada com o esquecimento do passado, com as aspirações frustradas de suas mães. Muitas mulheres tipo Artemis dos anos 70 estavam agindo e vivendo do mesmo modo que suas mães gostariam de ter agido e vivido, mas não puderam. Quando suas mães eram jovens adultas, os anos de explosão demográfica após a II Guerra Mundial não permitiram a Artemis muita expressão. Muitas vezes a mãe protetora pode ser encontrada em alguma parte na formação da mulher tipo Artemis, aplaudindo sua filha feminista. Por natureza, muitas mulheres tipo Artemis têm inclinações feministas - as causas advogadas pelas feministas fazem lembrar um responsivo. A mulher tipo Artemis sente que ela é uma igual para os homens; competiu com eles e muitas vezes sentiu que o papel estereotipado que ela supunha representar era antinatural. Esconder suas habilidades - "Não deixe o homem saber quão elegante você é" ou "Deixe o homem ganhar" (o argumento ou o jogo de tênis) – vai contra sua índole.
Sexualidade
A mulher tipo Ártemis pode assemelhar-se à deusa ao manter eterna castidade, permanecendo sua sexualidade não desenvolvida e não expressa. Nos tempos contemporâneos, contudo, esse padrão é raro. Mais provavelmente, uma mulher tipo Ártemis, quando adulta, adquiriu experiência sexual como parte de sua tendência de explorar e tentar novas aventuras. A sexualidade da mulher tipo Ártemis pode assemelhar-se à de um homem tradicionalmente orientado para o trabalho. Para ambos as relações são secundárias. Envolvimento na carreira, projeto criativo ou causa são fundamentais. O sexo é, portanto, um esporte recreativo, ou uma experiência física de intimidade emocional e compromisso (motivação que Hera proporciona); ou é um instinto profundamente expressivo de sua própria natureza sensual (para a qual Afrodite é necessitada). A mulher tipo Ártemis, se lésbica, usualmente faz parte de uma comunidade ou rede de lésbicas. Embora ambas as mulheres tipo Ártemis, a heterossexual e a homossexual, tenham intensa e importante afinidade com as mulheres amigas, a mulher tipo Ártemis lésbica pode considerar a intimidade sexual como outra dimensão da amizade, em vez de considerá-la como razão para o relacionamento. A mulher tipo Ártemis lésbica pode ter ou uma imagem-modelo de amante, uma afinidade quase de gêmeos idênticos, ou pode ser atraída para uma pessoa semelhante a uma ninfa, mais suave, mais feminina do que ela própria, com uma personalidade menos distinta. Ela, como seu equivalente heterossexual, evitam relacionamentos nos quais fique reprimida ou dominada por um parceiro "paternal" ou nos quais se espera que ela desempenhe o papel de pai.
Casamento
O casamento está muitas vezes distante do propósito da mulher tipo Ártemis nos primeiros anos de sua vida adulta, quando ela ocupa seu tempo com o trabalho e as causas. Além do mais, viver mais sossegadamente não proporciona nenhuma grande atração para a Ártemis que vai dum lado para outro. Se ela for atraente e popular é bem possível que tenha saído com uma variedade de homens, envolvendo-se confortavelmente com vários, e não apenas com um. Pode até mesmo ter preferido viver com um homem do que se ter casado com ele. Pode ainda permanecer solteira. Quando se casa, o companheiro é muitas vezes um colega de classe, um companheiro, ou um competidor. Seu casamento tem usualmente uma qualidade igualitária. Hoje em dia é provável que ela conserve seu próprio nome, e não mude para o nome dele ao casar.
Relacionamento com homens: fraternal
A deusa Ártemis tinha um irmão gêmeo, o deus do sol, de muitas facetas. Ele era o seu complemento masculino: seu domínio era a cidade, o dela a selva; o dele o sol, o dela a lua; o dele os rebanhos domesticados, o dela os animais selvagens não domesticados; ele era o deus da música, ela era a inspiração para as danças de roda nas montanhas. Como segunda geração olímpica, Apolo estava na geração dos filhos, em vez de na dos pais. De um lado, estava associado com a racionalidade e as leis; de outro, como deus da profecia (suas sacerdotisas profetizavam em Delfos), estava associado também com o irracional. Como sua irmã, Apolo é andrógino: cada um tinha algumas qualidades ou interesses que estão intimamente ligados ao sexo oposto. O casal de gêmeos Artemis-Apolo é o modelo mais comumente visto nos relacionamentos que as mulheres tipo Artemis mantêm com os homens - sejam eles amigos, colegas ou maridos. Além do mais, a mulher tipo Artemis é muitas vezes atraída por um homem cuja personalidade tenha um lado estético, criativo, saudável ou musical. Seu trabalho pode se desenvolver nas profissões de assistência ou no setor criativo. Ele é usualmente seu equivalente intelectual, com interesses compartilhados ou complementares. Um exemplo de relacionamento Artemis-Apolo é o de Jane Fonda, atriz, ativista e advogada, com seu marido tom Hayden, político liberal. A mulher tipo Artemis não vive absolutamente fascinada por dominar os homens e ter relacionamentos do tipo "mim Tarzan, tu Jane". Nem vive interessada no relacionamento mãe-filho. Ela evita os homens que insistem em serem o centro de sua vida. Permanecendo forte psicologicamente, como a própria deusa fisicamente, ela sente-se ridícula tentando representar o papel de "a pequena mulher". Muitas vezes um relacionamento Artemis-Apolo e interesses ao ar livre caminham de mãos dadas. Ambos os parceiros podem ser esquiadores ou corredores, e ávidos de aptidão física. Se a mulher tipo Artemis ao ar livre não puder compartilhar a mochila, esqui, ou o que quer que goste de fazer com um parceiro, poderá sentir que está faltando um elemento essencial no relacionamento. O relacionamento Artemis-Apolo pode resultar num casamento assexuado, amigável, no qual os parceiros são os melhores amigos um do outro. Algumas mulheres tipo Artemis até se casam com homens homossexuais, por exemplo, e valorizam o companheirismo e a independência que cada parceiro permite ao outro em tal relacionamento. A mulher tipo Artemis pode permanecer a melhor amiga de um ex-marido que abandonou sua união irmão-irmã quando ele se apaixonou por uma outra mulher de tipo diferente. Para que a mulher tipo Artemis tenha um profundo e importante elemento sexual em seu casamento, uma outra deusa - Afrodite - deve ter influência. E para que esse casamento seja monogâmico, relacionamento comprometido, Hera também deve estar presente na mulher. Sem estas duas outras deusas, um relacionamento Artemis-Apolo torna-se facilmente um relacionamento irmão-irmã.
Além do padrão de relacionamento entre iguais, o segundo padrão comum de relacionamento para as mulheres tipo Artemis é o do envolvimento com homens que as sustentam. Tal homem é uma pessoa com quem ela se sente à vontade. Ele a ensina a ser atenciosa e sensível aos sentimentos. É sempre a pessoa que quer que eles tenham um filho. Relacionamentos menos compatíveis ou complementares admitidos por mulheres tipo Artemis muitas vezes recapitulam os primitivos conflitos pai-filha. O marido não aprova suas aspirações e a critica e arruina. Como com seu pai, ela é rebelde e continua em sua carreira. Contudo, sua auto-estima fica afetada, ou ainda seu espírito acaba sendo dobrado e, finalmente, ela se conforma com a idéia dele de como ela deveria ser. Ou, como no mito de Artemis e Órion uma mulher tipo Artemis pode se apaixonar por um homem forte e então ser incapaz de manter o elemento competitivo fora do relacionamento, e o destrói. Se ele consegue algum reconhecimento e, mais do que estar contente por ele, ele se ressente do seu sucesso e encontra um meio de estragá-lo, esta competitividade coroará o amor que ele tem por ela. Por exemplo, ele pode reagir às suas conquistas vencendo ou indo além. Se ambos são incapazes de parar de competir, desafios de qualquer espécie que surjam entre eles, desde a competição de esqui até o jogo de cartas, provavelmente serão mortalmente tomados a sério. Os homens para quem uma Artemis é "meu tipo de mulher" são muitas vezes atraídos em direção a ela como uma alma gêmea ou irmão-uma parceira feminina de si mesmos. Ou eles podem ser atraídos por seu espírito independente e afirmativo e pela força de vontade que podem não estar desenvolvidos neles. Ou podem ser atraídos como se ela fosse uma imagem de pureza que corresponde a um ideal deles. O duplo motivo fundamenta as atrações mais comuns. A esta altura o homem é atraído por sua parceira feminina, uma igual com quem ele se sente à vontade, alguém que pode ter ao seu lado enquanto persegue aquilo que o desafia. O homem que vê em Artemis as qualidades admiradas que estão subdesenvolvidas nele é comumente atraído por sua força de vontade e espírito independente. Ele a coloca num pedestal por qualidades que usualmente não são consideradas femininas. Ela se lhe apresenta bonita por causa de seus poderes. Sua mulher idealizada assemelha-se à "Mulher Maravilha", que se disfarçou de Diana, nome romano atribuído a Artemis. Quando meu filho tinha oito anos, por acaso ouvi seu amigo falando com admiração das ousadas proezas de uma garota. Ele via sua namorada como uma garota franca e corajosa, alguém com quem poderia contar que viesse em sua ajuda: "Se alguém me molestasse, eu a chamaria e ela acabaria com tudo num minuto". Como psiquiatra, tenho ouvido aquele mesmo tom de admiração, aquele mesmo orgulho da relação, quando os homens que têm Artemis como imagem ideal falam das proezas ou realizações das mulheres que eles amam. Uma terceira espécie de homem é atraído pela pureza de Artemis, sua virgindade e identificação com a natureza primitiva. Na mitologia grega essa atração foi personificada por Hipólito, um jovem atraente que se dedicou à deusa Artemis e a uma vida de celibato. Sua castidade ofendeu Afrodite, deusa do amor, que depois pôs em andamento uma trágica seqüência de acontecimentos - um mito que descreverei no capítulo sobre Afrodite. Tais homens - atraídos por mulheres que parecem ser tão puras quanto Artemis - ficam ofendidos pela sexualidade pura e simples. Como o jovem Hipólito, eles podem estar na fase final da adolescência ou no começo da idade adulta, e podem ser castos.
Filhos
A mulher tipo Artemis dificilmente é sensual e maternal - e estar grávida ou amamentando um filho não a realizará. Na verdade, a gravidez pode ser repugnante para a mulher tipo Artemis, que gosta de ter uma imagem vigorosa, graciosa, ou infantil. Ela não sente uma forte atração instintiva para ser mãe (para isto Deméter deve estar presente). Ela, contudo, gosta de crianças. Quando a mulher tipo Artemis tem seus próprios filhos, é muitas vezes uma boa mãe - como a ursa, que é seu símbolo. É um tipo de mãe que encoraja a independência, que ensina seus filhos jovens a se defenderem sozinhos, e ainda a mãe que pode ser cruel na defesa deles. Alguns filhos de mulheres tipo Ártemis estão convencidos de que suas mães lutariam por eles até a morte. As mulheres tipo Ártemis sentem-se à vontade não gerando filhos, pondo seu tipo pessoal de energia geradora - que pode ser semelhante ao de uma tia jovem - à disposição dos filhos de outras pessoas. Ser supervisoras de escoteiras ou madrastas ou membros do "Big Sisters of America" proporciona tais oportunidades. Nesses papéis elas se assemelham à deusa Ártemis, que protegia as garotas que estavam no limiar da vida adulta. As mulheres tipo Ártemis não olham para trás, com saudades da época em que seus filhos eram bebês ou crianças que estavam começando a andar. Ao contrário, olham para a frente, para a época em que seus filhos serão mais independentes. Os meninos e meninas ativos que gostam de explorar, acabam descobrindo que suas mães tipo Ártemis são companheiras entusiásticas. A mãe tipo Ártemis fica contente quando a criança vem para casa com uma cobra não venenosa, e alegremente vai acampar ou esquiar com os filhos. Mas uma preocupação se estabelece quando a mulher tipo Ártemis tem uma criança dependente e passiva. Tentar encorajar a independência muito cedo pode, para tais crianças, piorar as coisas porque aumenta o apego. A criança pode sentir-se rejeitada e não tão boa para alcançar os padrões de sua mãe tipo Ártemis.
A Meia-Idade
A mulher tipo Ártemis entre os trinta e cinco e cinqüenta e cinco anos de idade pode achar que está no período de crise da meia-idade, caso não tenha aspectos de qualquer outra deusa em sua vida. Ártemis é um padrão muito compatível com uma jovem de objetivo orientado, que ingenuamente persegue seu objetivo auto-escolhido. Mas pode ocorrer mudança na sua meia-idade. Agora há menos "selvas inexploradas" para que ela as explore. Ou ela foi bem sucedida em realizar suas metas e alcançou um platô, ou fracassou. A meia-idade da mulher tipo Ártemis também pode conduzir a uma época mais reflexiva porquanto ela se interioriza, mais influenciada por Ártemis como deusa da lua do que por Ártemis enquanto deusa da caça. As fantasias da menopausa e os sonhos podem estimular a mulher tipo Ártemis extrovertida a uma interiorização. Aí ela se confronta com "fantasmas" de seu passado, muitas vezes revelando sentimentos ou anseios há muito ignorados. Esse ímpeto da menopausa em direção à introversão está relacionado com Hécate, a velha enrugada que era a deusa da lua escura, dos fantasmas e do fantástico. Hécate e Ártemis eram ambas deusas da lua que passeavam sem destino pela terra. A conexão das duas deusas é observada nas mulheres tipo Ártemis mais velhas que se aventuram nos domínios psíquicos, psicológicos ou espirituais, com o mesmo sentido de exploração que quando mais jovens tinham em outras buscas.
A velhice
Não é incomum para a mulher que as qualidades de Ártemis persistam até a velhice. Suas atividades de jovem nunca cessam. Ela não sossega; ou sua mente ou seu corpo - muitas vezes ambos - estão em movimento. É uma viajante explorando novos projetos ou países estrangeiros. Retém afinidade com os jovens e uma habilidade jovem de pensar que a afasta do sentimento da "meia-idade", quando atravessa esse período, ou "da velhice", quando vive os anos posteriores. Duas mulheres conhecidas na localidade da Califórnia do Norte personificam esse aspecto de Ártemis. Uma, a professora naturalista Elizabeth Terwüliger agora com seus setenta anos de idade, conduz bandos de escolares pelas campinas, florestas, regatos e montanhas Observa excitadamente um cogumelo raro meio escondido perto das raízes de uma árvore, ostenta uma bonita cobra aponta para as plantas alimentícias nas encostas e passa as alfaces para os outros saborearem. Durante todo o tempo está compartilhando seu entusiasmo, ligando sucessivas gerações de criança, bem como adultos receptivos, às maravilhas da natureza. Uma segunda idosa e vivaz Ártemis é Francês Horn cujas explorações conduziram-na à natureza humana' Aos setenta anos de idade doutorou-se em psicologia. Aos setenta e cinco publicou I Want It All Now, um livro autobiográfico que registra suas explorações e menciona o que ela encontrou de valor duradouro. Geórgia O'Keeffe, a mais conhecida artista americana, continuava a exemplificar Ártemis quando estava lá pelos noventa, conforme o que tinha feito durante sua vida toda. Tinha paixão e afinidade espiritual com o selvagem Sudoeste, combinados com uma força de propósito através da qual alcançou os objetivos de sua vida O'Keeffe é citada dizendo: "Sempre soube o que queria e muitas pessoas não o sabem". Ela refletiu que o seu sucesso podia ser devido a um traço de agressão, que a conduziu a "agarrar qualquer coisa que passasse e eu quisesse". Como Ártemis, oKeeffe fez infalível pontaria e alcançou o que tentara conseguir. Em 1979, aos noventa e dois anos de idade, O'Keeffe era a única mulher viva a ser incluída no "The Dinner Party", uma homenagem em baixela de porcelana e bordado, feita para trinta e nove mulheres importantes da história. O prato de O'Keeffe sobressaía na mesa mais do que qualquer outro prato, simbolizando na opinião de Chicago a aspiração quase sucedida de O'Keeffe de ser totalmente sua própria mulher.
Dificuldades psicológicas
A deusa Ártemis passeava pelo seu campo escolhido com alguém de sua própria escolha, fazendo o que lhe agradava. Ao contrário das deusas que eram vitimadas, Ártemis nunca sofreu. Contudo fez ofensas a quem a ofendeu, ou ameaçou quem estava sob sua proteção. Da mesma forma, as dificuldades psicológicas que caracteristicamente estão associadas com mulheres tipo Ártemis usualmente levam os outros a sofrerem, em vez de trazerem sofrimento a elas próprias.
Identificação com Ártemis
Viver "como Ártemis", em perseguição de um objetivo ou enfocada no trabalho, pode ser bastante satisfatório para a mulher tipo Ártemis. Esta caracteristicamente pode não sentir carência em sua vida, especialmente se for capaz de investir sua energia considerável no trabalho que tenha um profundo significado para ela. É provável que tenha um estilo de vida cheio de movimento, o que ela aprecia. Um "lar base" não é importante. Nem o casamento e os filhos são prementes necessidades, não obstante a pressão da família e da sociedade, a menos que Hera e/ou Deméter sejam também fortes arquétipos. Embora esteja passando sem a íntima e comprometida intimidade emocional, ela tem relacionamentos duradouros de irmão e irmã com amigos homens e mulheres, e pode apreciar a companhia dos filhos dos outros. Identificar-se com Ártemis modela o caráter de uma mulher. Ela então precisa ser desafiada e envolvida em interesses que sejam pessoalmente compensadores. Caso contrário o arquétipo é contrariado e incapaz de encontrar expressão adequada, e a mulher tipo Ártemis se sente frustrada e finalmente deprimida. Esta era a situação de muitas mulheres tipo Ártemis no pós-segunda Guerra Mundial, anos de explosão demográfica, onde elas tentaram inutilmente adaptar-se aos papéis disponíveis. Relembrando o quão destrutiva a deusa Ártemis poderia ser com os outros, não é surpreendente perceber que a identificação inconsciente de uma mulher com Ártemis possa ser assim expressa: através de ações que danificam ou ferem outras pessoas. Essas potencialidades negativas são enumeradas nos parágrafos seguintes.
Desprezo pela Vulnerabilidade
Desde que haja um elemento de "busca" de sua parte, a mulher tipo Ártemis pode ficar interessada num homem. Mas se ele a arrebatar emocionalmente e quiser se casar com ela ou tornar-se dependente dela, o arrebatamento da "caça" está acabado. Além do mais ela pode perder o interesse ou até sentir desprezo por ele, caso ele mostre "fraqueza" por necessitar dela. Como resultado, a mulher tipo Ártemis pode ter uma série de relacionamentos bem sucedidos apenas enquanto guarda alguma distância emocional e nem sempre está disponível. Esse padrão pode surgir se uma mulher se identificar com o elemento "uma-em-si-mesma" da deusa virgem e negar sua própria vulnerabilidade e necessidade de outro. Para mudar, ela deve descobrir que o amor e a confiança de outra pessoa são muito preciosos para ela. Até então, do ponto de vista do homem, ela é como uma sereia: metade bonita mulher, metade fria e desumana. A analista junguiana Esther Harding fez algumas observações sobre esse aspecto da mulher tipo deusa virgem: "A frieza da lua e a crueldade da 'deusa lua' simbolizam esse aspecto da natureza feminina. Apesar de sua falta de entusiasmo e de sua imaturidade, em parte talvez devidos à sua grande indiferença, o erotismo impessoal numa mulher muitas vezes atrai um homem". A mulher tipo Ártemis pode se tornar cruel com um homem que a ama, uma vez que não esteja mais interessada nele. Ela pode rejeitá-lo e tratá-lo como intruso indesejado.
A raiva destrutiva: o javali de Cálidon
A deusa Ártemis tinha um aspecto destruidor, simbolizado pelo javali selvagem, um de seus animais sagrados. Na mitologia ela desatrelava o destruidor javali de Cálidon na zona rural quando era ofendida. Conforme descrito em Bullfinch's Mythology, "os olhos do javali brilhavam com sangue e fogo, seus pêlos erguiam-se como lanças ameaçadoras, suas presas eram como a dos elefantes indianos. O grão em crescimento era pisado, as vinhas e as oliveiras devastadas, os rebanhos e manadas postos em selvagem confusão pelo adversário matador".9 Esse é um quadro vivido de agitante destruição, metáfora adequada para a mulher tipo Ártemis em pé-de-guerra. A raiva de Ártemis é ultrapassada somente pela de Hera. Embora a intensidade do sentimento de ambas pareça semelhante, a direção da raiva e a provocação diferem. A mulher tipo Hera se enfurece "com a outra mulher". A mulher tipo Ártemis fica provavelmente irada com um homem ou com os homens em geral por depreciála ou por falharem ao encarar sem respeito alguma coisa que ela valoriza. Por exemplo, o despertar da consciência com o movimento feminista dos anos 70 usualmente levou a mudanças construtivas. Mas, quando muitas mulheres tipo Artemis tornaram-se cientes das limitações injustas da sociedade e das atitudes humilhantes para com as mulheres em geral, elas reagiram com intensa hostilidade, muitas vezes sem proporção com uma determinada provocação. Espectadores prudentes sabiamente saíam do caminho quando um javali de Cálidon encontrava um porco chauvinista no início dos anos 70! Além do mais, muitas mulheres também se sentiam ofendidas e "podadas" pelas mulheres tipo Artemis que saíam em tumulto depois de tais sessões de conscientização. No mito do javali de Cálido, a mesma Atalanta que fazia correr Hipômenes encarou o javali atacante com uma lança na mão. O javali já tinha chifrado e matado muitos heróis famosos que haviam tentado matá-lo. Seu couro era mais rijo do que uma armadura. Dependia dela pôr fim à vida da fera ou ser destruída. Esperou até que o javali estivesse quase em cima dela, fez cuidadosa pontaria, e depois atirou a lança num olho, seu único lugar vulnerável, para acertar o alvo. A raiva destruidora da mulher tipo Artemis pode ser contida apenas pelo que fez Atalanta. A mulher tipo Artemis deve confrontar diretamente sua própria destrutividade. Deve vê-la como um aspecto de si mesma ao qual deve pôr fim antes que essa destrutividade a consuma e arruine seus relacionamentos. Encoraja-se confrontar o javali interior, pois fazê-lo significa que a mulher deve ver quanto mal fez a si própria e aos outros. Ela não pode mais se sentir justa e poderosa. A humildade é a lição que a faz retornar ao seu lado humano-ela se torna bem consciente de que também ela é alguém com defeitos humanos, e não uma deusa vingadora.
Inacessibilidade
Artemis foi chamada de "a distante Artemis". A distância emocional é uma característica da mulher tipo Artemis, que está tão concentrada em seus próprios objetivos e tão atenta que falha em notar os sentimentos dos que estão ao seu redor. Como consequüência de sua falta de atenção, aqueles que se interessam por sua pessoa sentem-se insignificantes e excluídos, e ficam magoados e zangados com ela. Além disso, ela deve tomar consciência antes de poder mudar. A esta altura, a mulher tipo Artemis precisa ouvir e considerar o que os outros dizem. Eles por sua vez fariam melhor em esperar até que ela não estivesse concentrada num projeto predileto e pudesse voltar seu ponto de convergência para eles. Artemis era uma deusa do tipo "agora você a vê, agora não a vê" que podia desaparecer pela floresta, como os animais selvagens, que algumas vezes podem ser vistos e outras vezes não. Quando a distância emocional é um efeito colateral inadvertido de intensa concentração, um desejo sincero de permanecer em contato e acessível àqueles que importam pode abrandar essa tendência.
Crueldade
Artemis foi muitas vezes uma deusa cruel. Por exemplo, o caçador Actéon inadvertidamente intrometeu-se com ela e perdeu o bom senso de reconhecer que olhar estupidamente para uma deusa nua era grande ofensa. Então Artemis o transformou num veado que foi espedaçado por seus próprios cães de caça. E quando a convencida Níobe humilhou Leto, mãe de Ártemis e Apolo, os gêmeos por sua vez defenderam a honra de Leto, sem misericórdia. O desgosto diante dos erros feitos, a lealdade para com os outros, a força para expressar um ponto de vista e a propensão para começar a agir podem ser características muito positivas de Ártemis e de mulheres tipo Ártemis. Mas a crueldade da punição que elas impõem pode ser apavorante: todos os doze filhos de Níobe foram mortos pelos arqueiros gêmeos de tal forma que ela não tinha nada do que se vangloriar. A falta de misericórdia surge muitas vezes quando a mulher tipo Ártemis julga as ações dos outros em termos de absoluto preto-no-branco. Nessa perspectiva, não somente uma ação é toda má ou toda boa, mas a pessoa que faz tal coisa o é também. Portanto, a mulher tipo Ártemis sente-se defendida se ela tira desforra ou pune. Ela precisa desenvolver a compaixão e a empatia, que devem vir com a maturidade para desenvolver essa atitude. Muitas mulheres tipo Ártemis entram na idade adulta sentindo-se autoconfiantes e invulneráveis. com a experiência da vida, contudo, sua compaixão pode desenvolver-se à medida que elas também sofrem, são mal julgadas ou fracassam em algum aspecto. Se a mulher Ártemis aprende como experimentar ser vulnerável e torna-se mais compreensiva; se ela descobre que as pessoas são mais complexas do que pensava; e se perdoa aos outros e a si própria por cometer enganos, então essas lições aprendidas a tornarão mais misericordiosa.
A escolha crucial: sacrificar ou salvar Ifigênia
Um último mito sobre Ártemis fala de uma escolha significativa para a mulher tipo Ártemis. É o mito de Ifigênia, e a escolha envolve o papel de Ártemis como salvadora de Ifigênia ou como causadora de sua morte. Na história da guerra de Tróia, os navios gregos agrupavam-se no porto grego deÁulis antes de partir para Tróia. Lá a frota ficou parada, pois o vento não surgia para enfunar a vela. Convencido de que a calmaria era provocada por um deus, Agamêmnon, o comandante das forças gregas, consultou o profeta da expedição. O profeta declarou que Ártemis tinha sido ofendida e que poderia ser acalmada apenas com o sacrifício de Ifigênia, a filha de Agamêmnon. A princípio Agamêmnon resistiu mas, com o passar do tempo, e como os homens se tornavam mais zangados e indisciplinados, ele enganou sua esposa Clitemnestra que trouxe Ifigênia até ele, com o pretexto de que ela ia se casar com o herói grego Aquiles. Ao contrário, ela foi preparada para o sacrifício: sua vida em troca de promissores ventos que poderiam levar a frota à guerra. O que aconteceu depois é contado em duas versões. De acordo com uma delas, a morte de Ifigênia foi realizada conforme exigência de Ártemis. De acordo com a outra, Ártemis intercedeu no momento exato em que Ifigênia ia ser sacrificada, substituindo-a por uma corça, e levou-a para Táurida, onde ela se tornou uma das sacerdotisas de Ártemis. Esses dois desenlaces podem representar os dois possíveis efeitos de Ártemis. De um lado, ela livra do patriarcado as mulheres e os valores femininos, pois o mundo patriarcal desvaloriza ou oprime ambos. De outro, com seu intenso enfoque nos objetivos, ela pode também exigir tal sacrifício da mulher e desvalorizar o que foi tradicionalmente considerado "feminino" - as qualidades receptivas, desejosas de fazer sacrifícios em benefício dos outros. Toda mulher tipo Ártemis provavelmente tem algo nela que é como Ifigênia - algo jovem, confiante, bonito, que representa sua vulnerabilidade, seu potencial para a intimidade, e sua dependência em relação aos outros. Ela salvará e protegerá esse aspecto de si mesma de tal forma que possa desenvolver-se, até mesmo quando muda de posição no decorrer da vida, objetivando o que lhe interessa? Ou determinará que atem esse aspecto de Ifigênia em si mesma, para que seja tão enfocada, enérgica e clara quanto possível?
Caminhos para o crescimento
Para desenvolver-se além de Ártemis, a mulher deve cultivar seu potencial menos consciente, receptivo, orientado para o relacionamento. Precisa tornar-se vulnerável, aprender a amar e interessar-se profundamente por outra pessoa. Se isso acontecer, talvez seja um relacionamento - em geral com um homem que a ama, algumas vezes com outra mulher, ou tendo um filho. Freqüentemente esse progresso pode ocorrer somente depois que a mulher tipo Ártemis tiver "se esgotado", depois que ela tiver objetivado uma porção de metas e as tiver alcançado ou fracassado, após a emoção da caça, da corrida, ou quando a busca perdeu o encantamento. Um homem que a ame pode ter que esperar até aí, e até que ele tenha conseguido alguma ajuda de Afrodite.
O mito de Atalanta:
metáfora para o crescimento psicológico
Atalanta foi uma heroína cuja coragem e capacidades como caçadora e corredora eram iguais às de qualquer homem. Foi abandonada no topo de uma montanha, logo depois de seu nascimento. Encontrada e alimentada por uma ursa, tornou-se uma bela mulher. Um caçador chamado Meléagro tornou-se seu amante e companheiro. E o par de caçadores ficou bem conhecido e famoso por toda a Grécia, principalmente por sua participação na caça ao javali de Cálidon. Meléagro morreu nos braços dela pouco depois disso. Então Atalanta deixou a montanha, onde juntos caminhavam, para se confrontar com seu pai e ser reconhecida como herdeira de seu trono. A essa altura muitos pretendentes se apresentaram para pedir sua mão em casamento, mas ela tratou a todos eles com desdém. Quando surgiu um clamor para que ela escolhesse entre eles, disse que se casaria com o homem que pudesse vencê-la numa corrida a pé. Se ele ganhasse, ela se casaria com ele; se perdesse, ele perderia o direito de viver. Corrida após corrida se sucedeu, com os pés ágeis de Atalanta sempre na liderança. Finalmente, o não atlético Hipômenes, que realmente a amava, decidiu participar da corrida, embora isso provavelmente lhe fosse custar a vida. Na noite anterior ao acontecimento ele orou a Afrodite, deusa do amor, pedindo proteção. Ela ouviu seu pedido e lhe deu três maçãs de ouro para usar na corrida.
Maçã 1: Consciência da passagem do tempo. No início da corrida, Hipômenes atirou a primeira maçã de ouro no caminho de Atalanta. Ela ficou atraída pela beleza de seu brilho e diminuiu a velocidade para pegá-la. Hipômenes ganhava terreno na corrida enquanto ela olhava fixamente a maçã de ouro em sua mão. com o reflexo, ela viu seu próprio rosto, distorcido pelas curvaturas da maçã: "É assim que vou ser quando ficar velha", pensou ela. Muitas mulheres atarefadas ficam inconscientes do passar do tempo, até que num dado momento, na meia-idade, os desafios da competição ou do alcançar os objetivos diminuem. Pela primeira vez na vida, tal mulher pode tornar-se ciente de que sua juventude não é eterna, e começa a ponderar sobre a trajetória que está percorrendo e para onde ela a conduz.
Maçã 2: Consciência da importância do amor. Depois ele atirou a segunda maçã no seu caminho. Atalanta, mais uma vez, concentrou-se na corrida e facilmente ganhou de Hipômenes. Quando parou para ver a segunda maçã de ouro de Afrodite, as lembranças de Melagro, seu amante falecido, brotaram dentro dela. Desejos ardentes de intimidade física e emocional foram excitados por Afrodite. Quando isso é combinado com a consciência de que o tempo está passando, o enfoque usual da mulher tipo Artemis é desviado para uma nova receptividade ao amor e à intimidade.
Maçã 3.-Instinto gerador e criatividade. A reta final estava na mira quando Atalanta empatou a partida até mesmo com Hipômenes. Ela estava quase para ultrapassá-lo e ganhar, quando Hipômenes deixou cair a terceira maçã de ouro. Por uma fração de segundo, Atalanta hesitou: ela passaria o limite final e ganharia a corrida, ou pegaria a maçã e perderia? Atalanta decidiu-se pela maçã, exatamente quando Hipômenes atravessou a linha final para ganhar a corrida e tê-la como esposa. O instinto procriativo de Afrodite, ajudado por Deméter, modera a atividade de muitas mulheres atarefadas e concentradas num objetivo, quando chegam os últimos anos da casa dos trinta. As mulheres que fazem carreira são muitas vezes pegas de surpresa pela urgência constrangedora de terem um filho. A terceira maçã de ouro também pode representar outra criatividade além da biológica. O empreendimento pode tornar-se menos importante após a meia-idade. Em seu lugar, a generatividade representada por Afrodite é dirigida no sentido de transformar a experiência em alguma forma de expressão pessoal. Se o conhecimento de Afrodite é induzido através do amor de outra pessoa, então a unilateralidade da mulher tipo Artemis, por mais satisfatória que tenha sido, pode abrir caminho para a possibilidade da totalidade. Ela pode voltar-se para seu interior, a fim de refletir sobre o que é importante para si mesma, e tornar-se intimamente dirigida tanto quanto exteriormente focalizada. Torna-se ciente de que tem necessidade tanto de intimidade quanto de independência. Uma vez que reconheça o amor - como Atalanta - terá momentos de decisão para concluir por si mesma sobre o que é mais importante.
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A Deusa Virgem
Como deusa virgem, Ártemis era imune de se apaixonar. Não foi raptada nem violada, como Perséfone e Deméter, e nunca foi metade de um par marido-mulher. Como arquétipo de deusa virgem, Ártemis representa um sentido de integridade, uma-em-si-mesma, uma atitude de "sei cuidar de mim mesma" que permite à mulher agir por conta própria, com autoconfiança e espírito independente. Esse arquétipo possibilita à mulher sentir-se completa sem um homem. Com isso ela pode sair ao encalço de interesses e trabalho que são significativos para ela, sem precisar da aprovação masculina. Sua identidade e senso de valor se baseiam sobre o que ela é e faz, e não tanto no fato de ser casada, ou com quem. Sua insistência em ser tratada de "senhorita" expressa uma qualidade de deusa virgem típica de Ártemis, que enfatiza a independência e a separação dos homens.
A Arqueira Meta-Direcionada
Como deusa da caça no encalço do animal escolhido, a arqueira Ártemis podia objetivar qualquer alvo, perto ou distante, e podia estar ciente de que suas flechas alcançariam sem erro o alvo. O arquétipo de Ártemis dá às mulheres a habilidade inata de se concentrarem intensamente naquilo que lhes é importante; também lhes permite ficarem imperturbáveis em seu trajeto, tanto pelas necessidades de outros como pela competição com outros. Em todo caso a competição eleva o excitamento "da caça". O enfoque do objetivo e a perseverança apesar dos obstáculos no caminho, ou ainda o esquivamento da caça, são qualidades de Ártemis que conduzem a empreendimentos e realizações. Esse arquétipo torna possível atingir a meta que ela própria tiver escolhido.
Arquétipo do Movimento Feminista
Ártemis representa as qualidades idealizadas pelo movimento feminista - empreendimento e competência, independência dos homens e das opiniões masculinas, e preocupações pelos atormentados, pelas mulheres fracas e pelas jovens. A deusa Ártemis ajudou sua mãe Leto no parto, livrou Leto e Aretusa de serem violadas e puniu o pretensioso deflorador Títio e o intruso caçador Actéon. Ela era protetora das jovens, especialmente das garotas na pré-adolescência. Essas preocupações de Ártemis assemelham-se às preocupações do movimento feminista que têm conduzido à organização das clínicas de pessoas estupradas, legítima defesa das camadas sociais, socorro às mulheres sexualmente hostilizadas e refúgio para as mulheres maltratadas. O movimento feminista tem enfatizado o parto cuidadoso, o trabalho da parteira; tem estado preocupado com o incesto e a pornografia, e é motivado por um desejo de evitar o mal às mulheres e crianças e de punir aqueles que praticam tais danos.
A Irmã
A deusa Ártemis era acompanhada por um séquito de ninfas, divindades de menor importância que se associavam às montanhas, florestas e riachos. Viajavam com ela, explorando e caçando em terreno selvagem. Não eram coagidas pela domesticidade ou pelas idéias do que as mulheres deveriam estar fazendo, e estavam além do controle dos homens ou das preferências masculinas. Eram como "irmãs" tendo Ártemis como arquétipo da "grande irmã", que as conduzia e a quem elas podiam apelar por ajuda. Não é portanto de se admirar que o movimento feminista enfatize a "irmandade" das mulheres, pois Ártemis é o seu arquétipo inspirador. Gloria Steinem, fundadora e editora da revista Ms., é uma mulher contemporânea que personifica aspectos do arquétipo de Ártemis. Steinem tornou-se uma personalidade mítica, maior que a pessoa, para todas as mulheres que projetam nela a imagem da deusa. Gloria Steinem é muito conhecida do público, líder do movimento feminista, e lá na imaginação está uma alta e graciosa Ártemis, de pé entre suas companheiras. As mulheres que se alinham com os objetivos e aspirações do movimento feminista freqüentemente admiram e identificam Gloria Steinem como personificação de Ártemis. Essa identificação era especialmente verdadeira no princípio dos anos 70, quando muitas mulheres usavam óculos de aviadores e imitavam o estilo de seu cabelo lindo e esvoaçante, repartido ao meio. Dez anos mais tarde a competição exterior foi substituída por esforços de serem mulheres como ela, com poder pessoal e independência. A mística de Ártemis que envolve o papel e a apresentação de Steinem é intensificada pelo seu estado civil de solteira. Embora tenha se unido romanticamente com diversos homens, ela não se casou - isso apropriadamente para uma mulher que representa uma deusa virgem "uma-em-si-mesma", que "não pertence a nenhum homem". Steinem está na tradição de Ártemis naquele apelo de ajuda que as mulheres lhe fazem, e como grande irmã ela a proporciona. Senti diretamente seu amparo quando lhe pedi que viesse aos encontros anuais da Associação Americana de Psiquiatria para ajudar aquelas de nós que estavam tentando fazer com que a APA (American Psychiatric Association=Associação Psiquiátrica Americana) apoiasse o boicote do movimento feminista dos estados que não tinham homologado a Emenda dos Direitos de Igualdade (ERA=Equal Rights Amendment). Fiquei encantada ao notar quanto poder foi atribuído a Gloria Steinem por muitos homens que "a tinham ofendido", e que depois reagiram como se estivessem partilhando do destino de Actéon, Alguns psiquiatras do sexo masculino que se opuseram a ela na verdade expressavam medos infundados de que poderiam ficar financeiramente arruinados ou perder a subvenção para pesquisa, caso essa "deusa" fosse exercer seu poder para os punir e destruir.
A Ártemis voltada para a natureza
Em sua afinidade com a selva e a natureza não doméstica, Ártemis é o arquétipo responsável pela identificação que algumas mulheres experimentam entre si mesmas e a natureza, quando saem com mochilas pelas montanhas arborizadas, adormecem sob a lua e as estrelas, ou caminham numa praia deserta, ou fitam o deserto e sentem-se em comunhão com a natureza LynnThomas descreve, no TheBackpacking Woman, a percepção de uma mulher apreciando a selva através da natureza de Ártemis: Para começar há majestade e silêncio, água límpida e ar puro. Há também a dádiva da distância... a oportunidade de encontrar-se distante dos relacionamentos e do ritual diário... e a dádiva da energia. A selva nos infunde um tipo especial de energia. Eu me lembro de certa vez estar deitada perto do rio Snake em Idaho, e de ter-me conscientizado de que não poderia dormir... as forças da natureza tinham-me na mão. Fiquei mergulhada numa dança de íons e átomos. Meu corpo respondia à penetrante atração da Lua.
A "visão do luar"
A clareza de enfoque da caçadora Ártemis na percepção do alvo é um dos modos de "observação" associados com Ártemis. A "visão do luar" também é característica de Ártemis como deusa da lua. Vista ao clarão da lua, uma paisagem é silenciosa, os detalhes são vagos, bonitos e muitas vezes misteriosos. A visão da pessoa é atraída para o alto, para o céu estrelado ou para uma vasta e panorâmica visão da natureza. Ao luar uma pessoa em comunicação com Ártemis torna-se uma parte da natureza não consciente de si mesma, dentro dela e identificada com ela por algum tempo. Em seu livro Women in the Wilderness, China Galland enfatiza que quando as mulheres caminham pela selva elas também caminham interiormente: penetrar na selva envolve a selva que existe em todas nós. Esse pode ser o valor mais profundo de tal experiência, reconhecimento do nosso parentesco com a natureza. As mulheres que seguem Ártemis na selva descobrem caracteristicamente que estão se tornando mais reflexivas. Muitas vezes seus sonhos ficam mais vividos que o usual, o que contribui para sua visão interior. Elas vêem o espaço interior e os símbolos dos sonhos ao "clarão do luar", por assim dizer, em contraste com a realidade perceptível, que é mais bem avaliada à clara luz do dia.
Cultivando Ártemis
As mulheres que se identificam com Ártemis reconhecem imediatamente sua afinidade com essa deusa. Outros tipos de mulheres podem também se tornar cientes de sua necessidade de desenvolver a familiaridade com ela. E outras mulheres ainda reconhecem que Ártemis vive nelas e compreendem que têm necessidade dela para se tornar um aspecto mais influente de si próprias. Como poderemos cultivar Ártemis? Ou intensificar esse arquétipo? E como poderemos encorajar o desenvolvimento de Ártemis em nossas filhas? Algumas vezes o objetivo de desenvolver Ártemis requer medidas drásticas. Por exemplo, uma talentosa escritora, cujo trabalho era significativo para ela, repetidamente o abandonava a cada vez que um homem surgia em sua vida. Inicialmente cada homem era inebriante. Logo ele se tornava uma necessidade. Sua vida daria voltas em torno dele, e se ele se tornasse distante ou rejeitador ela se tornava cada vez mais perdida. Depois que uma amiga comentou que ela estava viciada em homens, ela percebeu o padrão e decidiu que se fosse levar a sério seus escritos teria que dar um "basta" e renunciar aos homens por certo período de tempo. Deslocou-se para fora da cidade, apenas ocasionalmente revendo velhos amigos, enquanto cultivava o isolamento, o trabalho e Ártemis e seu interior. A mulher que se casa jovem freqüentemente passa de filha a esposa (arquetipicamente Perséfone e depois Hera), e pode descobrir e valorizar as qualidades de Ártemis somente após um divórcio, quando vive sozinha pela primeira vez na vida. Tal mulher pode tirar férias por conta própria e descobrir que pode ter uma boa temporada, ou descobrir as satisfações de poder correr diversas milhas cada manhã, ou apreciar ser membro de um grupo feminino de assistência. Ou a mulher pode ter uma série de relacionamentos, sentir-se inútil nos intervalos entre um e outro homem e desenvolver Artemis apenas quando ela "renuncia aos homens" e seriamente conclui que nunca poderá se casar. Uma vez que tenha a coragem de encarar essa possibilidade e de organizar sua vida ao redor de seus amigos e daquilo que lhe interessa, ela pode ter um sentimento de inteireza em-si-mesma, um inesperado bem-estar que surge do desenvolvimento do arquétipo de Artemis. Os programas na selva para mulheres evocam Artemis, especialmente aqueles que combinam as experiências grupais com uma heróica jornada desacompanhada. Quando as mulheres saem em viagens ou aventuras fantasiosas para mulheres, elas cultivam o arquétipo de Artemis. Da mesma forma quando nossas filhas competem nos esportes, freqüentam acampamentos de jovens, viajam para explorar novos lugares, vivem em culturas estrangeiras como estudantes em intercâmbio ou unem-se ao Corpo de Paz, elas ganham experiências que podem desenvolver a auto-suficiente Artemis.
A Mulher tipo Artemis
As qualidades de Artemis aparecem cedo. Usualmente uma bebê-Artemis é aquela que olha de modo absorvente para novos objetos e é mais ativa do que passiva. As pessoas muitas vezes comentam sobre sua capacidade de concentrar-se numa tarefa auto-selecionada: "ela tem um poder de concentração surpreendente para uma criança de dois anos", ou "ela é uma criança cabeçuda," ou "cuidado com o que você lhe promete, porque ela tem memória de elefante: não se esquecerá, e cobrará a promessa". A inclinação de Artemis para explorar um novo território usualmente começa quando ela consegue levantar-se e vencer o berço de grades altas, saindo do cercadinho para penetrar num mundo maior. Artemis tem a tendência de se sentir firme a respeito de suas causas e princípios. Ela pode defender alguém menor ou afirmar com veemência que "isso não está certo!", antes de se envolver em alguma campanha para corrigir um erro. As garotas tipo Artemis que cresceram em famílias que favoreciam os filhos homens - dando aos jovens pequenas tarefas - não aceitam humildemente essa injustiça como um "dado". A feminista em flor é vista como a pequena irmã que exige igualdade.
Os pais
A mulher tipo Artemis que seguramente prossegue em sua trajetória própria, que se sente bem durante todo o tempo pelo que ela é enquanto pessoa, contente com o fato de ser mulher, muitas vezes tem o equivalente de uma amável Leto e de um aprobativo Zeus para ajudá-la a pôr em prática sua potencial Artemis. Para a mulher tipo Artemis competir, desenvolver-se com sucesso e sem conflito, é muito importante a aprovação paterna. Muitos pais apoiadores são como Zeus, ao proporcionarem "dádivas" que a ajudarão a fazer o que ela quer. Talvez as dádivas sejam inatingíveis: interesses compartilhados ou semelhanças com ele próprio, que ele reconhece e encoraja. Ou podem ser dádivas mais tangíveis, tais como lições especiais e equipamento. Por exemplo, a campeã de tênis Chris Evert Lloyd foi treinada por seu pai técnico de tênis, Jimmy Evert, que lhe forneceu suas próprias raquetes de tênis quando ela tinha seis anos de idade. Quando a filha tipo Artemis tem mãe e pai não tradicionais, embora a vida não se assemelhe mais ao monte Olimpo, não há equivalente na mitologia grega. Quando ambos compartilham igualmente a educação da criança e os trabalhos domésticos e cada um tem uma carreira, a filha tipo Artemis tem um modelo para crescimento que lhe permite valorizar e desenvolver as qualidades de Artemis. Além do mais, ela pode agir assim sem considerar tais qualidades como incompatíveis com a maternidade ou os relacionamentos. Os problemas surgem quando os pais criticam ou rejeitam uma filha tipo Artemis por não ser a garota que eles gostariam que ela fosse. A mãe que quer uma garotinha tranqüila, ponderada, e que, pelo contrário, tem uma criança ágil, do tipo "não me prenda", pode sentir-se desapontada ou rejeitada por ela. A mãe que espera que a filha a siga de perto, recorra a ela buscando ajuda, e documente admita que "a mãe sabe melhor", não terá suas esperanças satisfeitas se tiver uma filha tipo Artemis. Mesmo aos três anos de idade, "a pequenina senhorita independente" não quer ficar em casa com a mamãe, pois prefere brincar com garotas maiores pelo quarteirão abaixo. E não gosta de usar roupas cheias de babados, ou de bancar a engraçadinha para as amigas de sua mãe. Mais tarde, quando Artemis quer fazer algo que requeira a permissão dos pais, ela pode encontrar oposição. Se os meninos fazem alguma coisa que ela não pode fazer "porque é menina", ela pode berrar em protesto. E pode se afastar ressentida, caso seus protestos não tenham eficácia. A oposição e a desaprovação podem ferir sua auto-estima e autoconfiança, especialmente se seu admirado pai criticá-la por não estar sendo elegante e nunca tratá-la como "sua garota especial", sendo, ao mesmo tempo, desdenhoso ou crítico de suas idéias, habilidades e aspirações. Em minha prática, examino o que aconteceu quando tais pais se opunham às suas filhas tipo Artemis. Tipicamente, a garota mantinha uma atitude desafiante no exterior, mas interiormente estava magoada. Ela aparentava ser forte e não influenciada pelo que ele pensava, esperando o momento em que pudesse agir por conta própria. As conseqüências variam em intensidade e rigor, mas seguem um padrão: o que resulta é uma mulher que se sente em conflito a respeito de sua capacidade e muitas vezes pratica sabotagem consigo mesma - suas próprias dúvidas são seus piores inimigos. Embora na superfície afortunadamente resistisse ao poder do pai que limitava suas aspirações, ela incorporava sua atitude crítica dentro da sua psique. Luta profundamente com sentimentos de que não é suficientemente boa, hesita quando novas oportunidades são oferecidas, realiza menos do que é capaz de realizar e, até mesmo quando é bem sucedida, ainda se sente inadequada. Esse padrão é culturalmente produzido por famílias e culturas que atribuem maior valor aos filhos do que às filhas, e que esperam que as filhas sejam estereotipadamente femininas.
Certa mulher tipo Artemis que freqüentou um seminário ministrado por mim, comentou: "Minha mãe queria uma Perséfone, uma submissa filhinha da mamãe, e meu pai queria um filho. O que eles tiveram foi eu". Algumas mães de filhas tipo Artemis são também rejeitadoras e críticas com suas filhas porque estas perseguem objetivos que elas não valorizam. Suas filhas usualmente não ficam dissuadidas por causa dessa desaprovação que, todavia, torna-se gradativamente destrutiva. Contudo, o peso do negativismo da mãe é usualmente menor do que o do pai, por causa da grande autoridade que o pai exerce. Outra dificuldade comum entre mãe e filha, que as filhas tipo Artemis têm, é com as mães que elas vêem como passivas e fracas. Suas mães podem ter sido deprimidas, vitimadas pelo álcool, por um mau casamento, ou imaturas. Quando elas descrevem seus relacionamentos com a mãe, muitas filhas tipo Artemis nessa configuração dizem: "Eu era minha mãe". Ao discorrerem mais, exprimem sua tristeza por não terem mãe forte e por não serem suficientemente fortes para mudar a vida da mãe. Enquanto a deusa Ártemis foi sempre capaz de ajudar sua mãe Leto, os esforços das filhas tipo Ártemis para proteger a mãe são freqüentemente mal sucedidos. A desvalorização e a falta de respeito pela fraca mãe reforçam as qualidades de deusa virgem das filhas tipo 'Ártemis. Determinadas a não ficar como a mãe, elas sufocam sentimentos de dependência, evitam expressar vulnerabilidade e juram tornar-se independentes. Quando uma filha tipo Ártemis carece de respeito pela mãe cujos papéis principais foram os tradicionais, ela fica num aperto. Ao rejeitar a identificação com a mãe, ela comumente rejeita o que é considerado feminino - suavidade, receptividade e movimento em direção ao casamento e à maternidade. Ela fica atormentada por inadequabilidade de sentimentos - desta vez no domínio da sua identificação feminina.
Adolescência e juventude
Enquanto garota, a mulher tipo Ártemis é tipicamente uma competidora natural, com perseverança, coragem e vontade de vencer. Na perseguição de qualquer meta ela vai à frente até ao limite. Ela pode se tornar escoteira - andando a pé, escalando, dormindo fora, manejando um machado para cortar lenha para a fogueira ou, como a própria Ártemis, tornando-se uma perita arqueira. A inconfundível adolescente Ártemis é a garota "louca por cavalo", cujo mundo gira em torno de cavalos. A heroína do clássico filme National Velvet personifica o arquétipo da adolescente Ártemis. A adolescente Ártemis é uma garota com traços de independência e tendência para a exploração. Ela se aventura pelas florestas, escala morros, ou quer ver o que está no próximo quarteirão e no seguinte. "Não me prenda" e "não pise em mim" são seus lemas. Enquanto garota, ela é menos ajustada ou compromissada do que muitos de seus parceiros, porque é menos motivada pela ânsia de agradar aos outros e porque usualmente sabe o que quer. Essa segurança pode repercutir nela, contudo: outros podem considerá-la "cabeçuda", "teimosa" e "não feminina." Quando a mulher tipo Ártemis sai de casa para a faculdade ela aprecia a alegria da independência e o desafio competitivo daquilo que lhe interessa. Usualmente encontra um grupo de mentalidade semelhante para dele participar. Se ela for política, pode ficar fora, fazendo campanha. E se ela for ávida por condicionamento físico, pode na verdade estar correndo muitas milhas por dia, deleitando-se com sua força e graça, apreciando o estado reflexivo em que entra sua mente enquanto ela corre. Ainda estou para encontrar uma mulher que tenha corrido numa maratona e não tenha um forte traço de Ártemis, responsável pela combinação do objetivo enfocado, competitividade e vontade que são requeridas. Ártemis também é encontrada em mulheres esquiadoras, que traçam sua trajetória montanha abaixo, instintivamente, sempre inclinadas para diante, numa atitude física e psicológica que sem hesitação as impulsiona para a frente, desafiadas pelas dificuldades.
O trabalho
A mulher tipo Ártemis empenha-se no trabalho que tem valor subjetivo para ela. E estimulada pela competição e não se amedronta com oposição. A mulher tipo Ártemis que ingressou numa profissão de assistência ou num setor legal comumente tem um ideal que influenciou sua escolha. Se ela estiver no comércio, provavelmente iniciou com um produto no qual acreditava, ou talvez com aquele que a ajudou a fazer algo que ela queria. Se estiver num setor criativo, mais provavelmente estará expressando uma visão pessoal. Se ingressou na política, é advogada de uma causa, tendo usualmente mais a ver com as questões ambientais ou feministas. O sucesso mundano - fama, poder ou dinheiro - pode vir ao seu encontro, se ela se destacar era algo gratificante. Contudo, os interesses perseguidos por muitas mulheres tipo Artemis não terá nenhum valor comercial, e não conduzem a uma carreira, nem intensificam a reputação ou os recursos. Algumas vezes, ao contrário, o interesse é tão pessoal ou fora do comum, tão absorvente quanto ao tempo, que a falta de sucesso no mundo ou a falta de relacionamento são garantidos. Contudo, a busca é pessoalmente realizadora para o elemento Artemis na mulher. Por exemplo, a advogada da causa perdida, a reformadora desconsiderada, a "voz clamando no deserto" à qual ninguém parece prestar atenção é mais provavelmente uma mulher tipo Artemis, podendo ser a artista que continua trabalhando sem nenhum encorajamento ou sucesso comercial. (No caso da artista, Afrodite, com sua influência a criatividade e ênfase na experiência subjetiva, junta-se a Artemis.) Pelo fato de a mulher tipo Artemis não ser tradicional, no seu interior podem surgir conflitos consigo mesma ou com os outros, conflitos que podem incapacitar seus esforços. O que ela quer fazer pode "estar fora de seus limites", por exemplo, caso sua família considere suas aspirações como impróprias para uma família. A escolha da carreira que ela quer seguir pode ter sido há pouco encerrada. Se ela tivesse "acordado bem cedo" para o movimento feminista, ela poderia ter sido derrotada por obstáculos e falta de apoio, e seu espírito de Artemis poderia ter sido esmagado.
Relação com as mulheres: fraternal
Em certo sentido as mulheres tipo Artemis têm senso de associação com outras mulheres. Como a própria deusa, que se cercava da companhia das ninfas, as mulheres tipo Artemis usualmente consideram sua amizade com outras mulheres muito importante. Esse padrão remonta à escola primária. Elas têm "melhores amigas", com as quais compartilham tudo o que é significativo em suas vidas, e suas amizades podem eventualmente durar décadas. No mundo do trabalho, as mulheres tipo Artemis se associam facilmente com suas antigas amigas. Grupos de apoio, grupos de amigas antigas, e relacionamentos mentores com mulheres mais jovens em seus setores de atividade, são expressões naturais do arquétipo da irmã. Até mesmo as mulheres tipo Artemis que são individualistas e evitam grupos apoiam quase sempre os direitos das mulheres. Essa atitude pode refletir uma afinidade com sua mãe, através da qual elas desenvolveram percepção e solidariedade pelo destino das mulheres no mundo. Ou a atitude pode estar relacionada com o esquecimento do passado, com as aspirações frustradas de suas mães. Muitas mulheres tipo Artemis dos anos 70 estavam agindo e vivendo do mesmo modo que suas mães gostariam de ter agido e vivido, mas não puderam. Quando suas mães eram jovens adultas, os anos de explosão demográfica após a II Guerra Mundial não permitiram a Artemis muita expressão. Muitas vezes a mãe protetora pode ser encontrada em alguma parte na formação da mulher tipo Artemis, aplaudindo sua filha feminista. Por natureza, muitas mulheres tipo Artemis têm inclinações feministas - as causas advogadas pelas feministas fazem lembrar um responsivo. A mulher tipo Artemis sente que ela é uma igual para os homens; competiu com eles e muitas vezes sentiu que o papel estereotipado que ela supunha representar era antinatural. Esconder suas habilidades - "Não deixe o homem saber quão elegante você é" ou "Deixe o homem ganhar" (o argumento ou o jogo de tênis) – vai contra sua índole.
Sexualidade
A mulher tipo Ártemis pode assemelhar-se à deusa ao manter eterna castidade, permanecendo sua sexualidade não desenvolvida e não expressa. Nos tempos contemporâneos, contudo, esse padrão é raro. Mais provavelmente, uma mulher tipo Ártemis, quando adulta, adquiriu experiência sexual como parte de sua tendência de explorar e tentar novas aventuras. A sexualidade da mulher tipo Ártemis pode assemelhar-se à de um homem tradicionalmente orientado para o trabalho. Para ambos as relações são secundárias. Envolvimento na carreira, projeto criativo ou causa são fundamentais. O sexo é, portanto, um esporte recreativo, ou uma experiência física de intimidade emocional e compromisso (motivação que Hera proporciona); ou é um instinto profundamente expressivo de sua própria natureza sensual (para a qual Afrodite é necessitada). A mulher tipo Ártemis, se lésbica, usualmente faz parte de uma comunidade ou rede de lésbicas. Embora ambas as mulheres tipo Ártemis, a heterossexual e a homossexual, tenham intensa e importante afinidade com as mulheres amigas, a mulher tipo Ártemis lésbica pode considerar a intimidade sexual como outra dimensão da amizade, em vez de considerá-la como razão para o relacionamento. A mulher tipo Ártemis lésbica pode ter ou uma imagem-modelo de amante, uma afinidade quase de gêmeos idênticos, ou pode ser atraída para uma pessoa semelhante a uma ninfa, mais suave, mais feminina do que ela própria, com uma personalidade menos distinta. Ela, como seu equivalente heterossexual, evitam relacionamentos nos quais fique reprimida ou dominada por um parceiro "paternal" ou nos quais se espera que ela desempenhe o papel de pai.
Casamento
O casamento está muitas vezes distante do propósito da mulher tipo Ártemis nos primeiros anos de sua vida adulta, quando ela ocupa seu tempo com o trabalho e as causas. Além do mais, viver mais sossegadamente não proporciona nenhuma grande atração para a Ártemis que vai dum lado para outro. Se ela for atraente e popular é bem possível que tenha saído com uma variedade de homens, envolvendo-se confortavelmente com vários, e não apenas com um. Pode até mesmo ter preferido viver com um homem do que se ter casado com ele. Pode ainda permanecer solteira. Quando se casa, o companheiro é muitas vezes um colega de classe, um companheiro, ou um competidor. Seu casamento tem usualmente uma qualidade igualitária. Hoje em dia é provável que ela conserve seu próprio nome, e não mude para o nome dele ao casar.
Relacionamento com homens: fraternal
A deusa Ártemis tinha um irmão gêmeo, o deus do sol, de muitas facetas. Ele era o seu complemento masculino: seu domínio era a cidade, o dela a selva; o dele o sol, o dela a lua; o dele os rebanhos domesticados, o dela os animais selvagens não domesticados; ele era o deus da música, ela era a inspiração para as danças de roda nas montanhas. Como segunda geração olímpica, Apolo estava na geração dos filhos, em vez de na dos pais. De um lado, estava associado com a racionalidade e as leis; de outro, como deus da profecia (suas sacerdotisas profetizavam em Delfos), estava associado também com o irracional. Como sua irmã, Apolo é andrógino: cada um tinha algumas qualidades ou interesses que estão intimamente ligados ao sexo oposto. O casal de gêmeos Artemis-Apolo é o modelo mais comumente visto nos relacionamentos que as mulheres tipo Artemis mantêm com os homens - sejam eles amigos, colegas ou maridos. Além do mais, a mulher tipo Artemis é muitas vezes atraída por um homem cuja personalidade tenha um lado estético, criativo, saudável ou musical. Seu trabalho pode se desenvolver nas profissões de assistência ou no setor criativo. Ele é usualmente seu equivalente intelectual, com interesses compartilhados ou complementares. Um exemplo de relacionamento Artemis-Apolo é o de Jane Fonda, atriz, ativista e advogada, com seu marido tom Hayden, político liberal. A mulher tipo Artemis não vive absolutamente fascinada por dominar os homens e ter relacionamentos do tipo "mim Tarzan, tu Jane". Nem vive interessada no relacionamento mãe-filho. Ela evita os homens que insistem em serem o centro de sua vida. Permanecendo forte psicologicamente, como a própria deusa fisicamente, ela sente-se ridícula tentando representar o papel de "a pequena mulher". Muitas vezes um relacionamento Artemis-Apolo e interesses ao ar livre caminham de mãos dadas. Ambos os parceiros podem ser esquiadores ou corredores, e ávidos de aptidão física. Se a mulher tipo Artemis ao ar livre não puder compartilhar a mochila, esqui, ou o que quer que goste de fazer com um parceiro, poderá sentir que está faltando um elemento essencial no relacionamento. O relacionamento Artemis-Apolo pode resultar num casamento assexuado, amigável, no qual os parceiros são os melhores amigos um do outro. Algumas mulheres tipo Artemis até se casam com homens homossexuais, por exemplo, e valorizam o companheirismo e a independência que cada parceiro permite ao outro em tal relacionamento. A mulher tipo Artemis pode permanecer a melhor amiga de um ex-marido que abandonou sua união irmão-irmã quando ele se apaixonou por uma outra mulher de tipo diferente. Para que a mulher tipo Artemis tenha um profundo e importante elemento sexual em seu casamento, uma outra deusa - Afrodite - deve ter influência. E para que esse casamento seja monogâmico, relacionamento comprometido, Hera também deve estar presente na mulher. Sem estas duas outras deusas, um relacionamento Artemis-Apolo torna-se facilmente um relacionamento irmão-irmã.
Além do padrão de relacionamento entre iguais, o segundo padrão comum de relacionamento para as mulheres tipo Artemis é o do envolvimento com homens que as sustentam. Tal homem é uma pessoa com quem ela se sente à vontade. Ele a ensina a ser atenciosa e sensível aos sentimentos. É sempre a pessoa que quer que eles tenham um filho. Relacionamentos menos compatíveis ou complementares admitidos por mulheres tipo Artemis muitas vezes recapitulam os primitivos conflitos pai-filha. O marido não aprova suas aspirações e a critica e arruina. Como com seu pai, ela é rebelde e continua em sua carreira. Contudo, sua auto-estima fica afetada, ou ainda seu espírito acaba sendo dobrado e, finalmente, ela se conforma com a idéia dele de como ela deveria ser. Ou, como no mito de Artemis e Órion uma mulher tipo Artemis pode se apaixonar por um homem forte e então ser incapaz de manter o elemento competitivo fora do relacionamento, e o destrói. Se ele consegue algum reconhecimento e, mais do que estar contente por ele, ele se ressente do seu sucesso e encontra um meio de estragá-lo, esta competitividade coroará o amor que ele tem por ela. Por exemplo, ele pode reagir às suas conquistas vencendo ou indo além. Se ambos são incapazes de parar de competir, desafios de qualquer espécie que surjam entre eles, desde a competição de esqui até o jogo de cartas, provavelmente serão mortalmente tomados a sério. Os homens para quem uma Artemis é "meu tipo de mulher" são muitas vezes atraídos em direção a ela como uma alma gêmea ou irmão-uma parceira feminina de si mesmos. Ou eles podem ser atraídos por seu espírito independente e afirmativo e pela força de vontade que podem não estar desenvolvidos neles. Ou podem ser atraídos como se ela fosse uma imagem de pureza que corresponde a um ideal deles. O duplo motivo fundamenta as atrações mais comuns. A esta altura o homem é atraído por sua parceira feminina, uma igual com quem ele se sente à vontade, alguém que pode ter ao seu lado enquanto persegue aquilo que o desafia. O homem que vê em Artemis as qualidades admiradas que estão subdesenvolvidas nele é comumente atraído por sua força de vontade e espírito independente. Ele a coloca num pedestal por qualidades que usualmente não são consideradas femininas. Ela se lhe apresenta bonita por causa de seus poderes. Sua mulher idealizada assemelha-se à "Mulher Maravilha", que se disfarçou de Diana, nome romano atribuído a Artemis. Quando meu filho tinha oito anos, por acaso ouvi seu amigo falando com admiração das ousadas proezas de uma garota. Ele via sua namorada como uma garota franca e corajosa, alguém com quem poderia contar que viesse em sua ajuda: "Se alguém me molestasse, eu a chamaria e ela acabaria com tudo num minuto". Como psiquiatra, tenho ouvido aquele mesmo tom de admiração, aquele mesmo orgulho da relação, quando os homens que têm Artemis como imagem ideal falam das proezas ou realizações das mulheres que eles amam. Uma terceira espécie de homem é atraído pela pureza de Artemis, sua virgindade e identificação com a natureza primitiva. Na mitologia grega essa atração foi personificada por Hipólito, um jovem atraente que se dedicou à deusa Artemis e a uma vida de celibato. Sua castidade ofendeu Afrodite, deusa do amor, que depois pôs em andamento uma trágica seqüência de acontecimentos - um mito que descreverei no capítulo sobre Afrodite. Tais homens - atraídos por mulheres que parecem ser tão puras quanto Artemis - ficam ofendidos pela sexualidade pura e simples. Como o jovem Hipólito, eles podem estar na fase final da adolescência ou no começo da idade adulta, e podem ser castos.
Filhos
A mulher tipo Artemis dificilmente é sensual e maternal - e estar grávida ou amamentando um filho não a realizará. Na verdade, a gravidez pode ser repugnante para a mulher tipo Artemis, que gosta de ter uma imagem vigorosa, graciosa, ou infantil. Ela não sente uma forte atração instintiva para ser mãe (para isto Deméter deve estar presente). Ela, contudo, gosta de crianças. Quando a mulher tipo Artemis tem seus próprios filhos, é muitas vezes uma boa mãe - como a ursa, que é seu símbolo. É um tipo de mãe que encoraja a independência, que ensina seus filhos jovens a se defenderem sozinhos, e ainda a mãe que pode ser cruel na defesa deles. Alguns filhos de mulheres tipo Ártemis estão convencidos de que suas mães lutariam por eles até a morte. As mulheres tipo Ártemis sentem-se à vontade não gerando filhos, pondo seu tipo pessoal de energia geradora - que pode ser semelhante ao de uma tia jovem - à disposição dos filhos de outras pessoas. Ser supervisoras de escoteiras ou madrastas ou membros do "Big Sisters of America" proporciona tais oportunidades. Nesses papéis elas se assemelham à deusa Ártemis, que protegia as garotas que estavam no limiar da vida adulta. As mulheres tipo Ártemis não olham para trás, com saudades da época em que seus filhos eram bebês ou crianças que estavam começando a andar. Ao contrário, olham para a frente, para a época em que seus filhos serão mais independentes. Os meninos e meninas ativos que gostam de explorar, acabam descobrindo que suas mães tipo Ártemis são companheiras entusiásticas. A mãe tipo Ártemis fica contente quando a criança vem para casa com uma cobra não venenosa, e alegremente vai acampar ou esquiar com os filhos. Mas uma preocupação se estabelece quando a mulher tipo Ártemis tem uma criança dependente e passiva. Tentar encorajar a independência muito cedo pode, para tais crianças, piorar as coisas porque aumenta o apego. A criança pode sentir-se rejeitada e não tão boa para alcançar os padrões de sua mãe tipo Ártemis.
A Meia-Idade
A mulher tipo Ártemis entre os trinta e cinco e cinqüenta e cinco anos de idade pode achar que está no período de crise da meia-idade, caso não tenha aspectos de qualquer outra deusa em sua vida. Ártemis é um padrão muito compatível com uma jovem de objetivo orientado, que ingenuamente persegue seu objetivo auto-escolhido. Mas pode ocorrer mudança na sua meia-idade. Agora há menos "selvas inexploradas" para que ela as explore. Ou ela foi bem sucedida em realizar suas metas e alcançou um platô, ou fracassou. A meia-idade da mulher tipo Ártemis também pode conduzir a uma época mais reflexiva porquanto ela se interioriza, mais influenciada por Ártemis como deusa da lua do que por Ártemis enquanto deusa da caça. As fantasias da menopausa e os sonhos podem estimular a mulher tipo Ártemis extrovertida a uma interiorização. Aí ela se confronta com "fantasmas" de seu passado, muitas vezes revelando sentimentos ou anseios há muito ignorados. Esse ímpeto da menopausa em direção à introversão está relacionado com Hécate, a velha enrugada que era a deusa da lua escura, dos fantasmas e do fantástico. Hécate e Ártemis eram ambas deusas da lua que passeavam sem destino pela terra. A conexão das duas deusas é observada nas mulheres tipo Ártemis mais velhas que se aventuram nos domínios psíquicos, psicológicos ou espirituais, com o mesmo sentido de exploração que quando mais jovens tinham em outras buscas.
A velhice
Não é incomum para a mulher que as qualidades de Ártemis persistam até a velhice. Suas atividades de jovem nunca cessam. Ela não sossega; ou sua mente ou seu corpo - muitas vezes ambos - estão em movimento. É uma viajante explorando novos projetos ou países estrangeiros. Retém afinidade com os jovens e uma habilidade jovem de pensar que a afasta do sentimento da "meia-idade", quando atravessa esse período, ou "da velhice", quando vive os anos posteriores. Duas mulheres conhecidas na localidade da Califórnia do Norte personificam esse aspecto de Ártemis. Uma, a professora naturalista Elizabeth Terwüliger agora com seus setenta anos de idade, conduz bandos de escolares pelas campinas, florestas, regatos e montanhas Observa excitadamente um cogumelo raro meio escondido perto das raízes de uma árvore, ostenta uma bonita cobra aponta para as plantas alimentícias nas encostas e passa as alfaces para os outros saborearem. Durante todo o tempo está compartilhando seu entusiasmo, ligando sucessivas gerações de criança, bem como adultos receptivos, às maravilhas da natureza. Uma segunda idosa e vivaz Ártemis é Francês Horn cujas explorações conduziram-na à natureza humana' Aos setenta anos de idade doutorou-se em psicologia. Aos setenta e cinco publicou I Want It All Now, um livro autobiográfico que registra suas explorações e menciona o que ela encontrou de valor duradouro. Geórgia O'Keeffe, a mais conhecida artista americana, continuava a exemplificar Ártemis quando estava lá pelos noventa, conforme o que tinha feito durante sua vida toda. Tinha paixão e afinidade espiritual com o selvagem Sudoeste, combinados com uma força de propósito através da qual alcançou os objetivos de sua vida O'Keeffe é citada dizendo: "Sempre soube o que queria e muitas pessoas não o sabem". Ela refletiu que o seu sucesso podia ser devido a um traço de agressão, que a conduziu a "agarrar qualquer coisa que passasse e eu quisesse". Como Ártemis, oKeeffe fez infalível pontaria e alcançou o que tentara conseguir. Em 1979, aos noventa e dois anos de idade, O'Keeffe era a única mulher viva a ser incluída no "The Dinner Party", uma homenagem em baixela de porcelana e bordado, feita para trinta e nove mulheres importantes da história. O prato de O'Keeffe sobressaía na mesa mais do que qualquer outro prato, simbolizando na opinião de Chicago a aspiração quase sucedida de O'Keeffe de ser totalmente sua própria mulher.
Dificuldades psicológicas
A deusa Ártemis passeava pelo seu campo escolhido com alguém de sua própria escolha, fazendo o que lhe agradava. Ao contrário das deusas que eram vitimadas, Ártemis nunca sofreu. Contudo fez ofensas a quem a ofendeu, ou ameaçou quem estava sob sua proteção. Da mesma forma, as dificuldades psicológicas que caracteristicamente estão associadas com mulheres tipo Ártemis usualmente levam os outros a sofrerem, em vez de trazerem sofrimento a elas próprias.
Identificação com Ártemis
Viver "como Ártemis", em perseguição de um objetivo ou enfocada no trabalho, pode ser bastante satisfatório para a mulher tipo Ártemis. Esta caracteristicamente pode não sentir carência em sua vida, especialmente se for capaz de investir sua energia considerável no trabalho que tenha um profundo significado para ela. É provável que tenha um estilo de vida cheio de movimento, o que ela aprecia. Um "lar base" não é importante. Nem o casamento e os filhos são prementes necessidades, não obstante a pressão da família e da sociedade, a menos que Hera e/ou Deméter sejam também fortes arquétipos. Embora esteja passando sem a íntima e comprometida intimidade emocional, ela tem relacionamentos duradouros de irmão e irmã com amigos homens e mulheres, e pode apreciar a companhia dos filhos dos outros. Identificar-se com Ártemis modela o caráter de uma mulher. Ela então precisa ser desafiada e envolvida em interesses que sejam pessoalmente compensadores. Caso contrário o arquétipo é contrariado e incapaz de encontrar expressão adequada, e a mulher tipo Ártemis se sente frustrada e finalmente deprimida. Esta era a situação de muitas mulheres tipo Ártemis no pós-segunda Guerra Mundial, anos de explosão demográfica, onde elas tentaram inutilmente adaptar-se aos papéis disponíveis. Relembrando o quão destrutiva a deusa Ártemis poderia ser com os outros, não é surpreendente perceber que a identificação inconsciente de uma mulher com Ártemis possa ser assim expressa: através de ações que danificam ou ferem outras pessoas. Essas potencialidades negativas são enumeradas nos parágrafos seguintes.
Desprezo pela Vulnerabilidade
Desde que haja um elemento de "busca" de sua parte, a mulher tipo Ártemis pode ficar interessada num homem. Mas se ele a arrebatar emocionalmente e quiser se casar com ela ou tornar-se dependente dela, o arrebatamento da "caça" está acabado. Além do mais ela pode perder o interesse ou até sentir desprezo por ele, caso ele mostre "fraqueza" por necessitar dela. Como resultado, a mulher tipo Ártemis pode ter uma série de relacionamentos bem sucedidos apenas enquanto guarda alguma distância emocional e nem sempre está disponível. Esse padrão pode surgir se uma mulher se identificar com o elemento "uma-em-si-mesma" da deusa virgem e negar sua própria vulnerabilidade e necessidade de outro. Para mudar, ela deve descobrir que o amor e a confiança de outra pessoa são muito preciosos para ela. Até então, do ponto de vista do homem, ela é como uma sereia: metade bonita mulher, metade fria e desumana. A analista junguiana Esther Harding fez algumas observações sobre esse aspecto da mulher tipo deusa virgem: "A frieza da lua e a crueldade da 'deusa lua' simbolizam esse aspecto da natureza feminina. Apesar de sua falta de entusiasmo e de sua imaturidade, em parte talvez devidos à sua grande indiferença, o erotismo impessoal numa mulher muitas vezes atrai um homem". A mulher tipo Ártemis pode se tornar cruel com um homem que a ama, uma vez que não esteja mais interessada nele. Ela pode rejeitá-lo e tratá-lo como intruso indesejado.
A raiva destrutiva: o javali de Cálidon
A deusa Ártemis tinha um aspecto destruidor, simbolizado pelo javali selvagem, um de seus animais sagrados. Na mitologia ela desatrelava o destruidor javali de Cálidon na zona rural quando era ofendida. Conforme descrito em Bullfinch's Mythology, "os olhos do javali brilhavam com sangue e fogo, seus pêlos erguiam-se como lanças ameaçadoras, suas presas eram como a dos elefantes indianos. O grão em crescimento era pisado, as vinhas e as oliveiras devastadas, os rebanhos e manadas postos em selvagem confusão pelo adversário matador".9 Esse é um quadro vivido de agitante destruição, metáfora adequada para a mulher tipo Ártemis em pé-de-guerra. A raiva de Ártemis é ultrapassada somente pela de Hera. Embora a intensidade do sentimento de ambas pareça semelhante, a direção da raiva e a provocação diferem. A mulher tipo Hera se enfurece "com a outra mulher". A mulher tipo Ártemis fica provavelmente irada com um homem ou com os homens em geral por depreciála ou por falharem ao encarar sem respeito alguma coisa que ela valoriza. Por exemplo, o despertar da consciência com o movimento feminista dos anos 70 usualmente levou a mudanças construtivas. Mas, quando muitas mulheres tipo Artemis tornaram-se cientes das limitações injustas da sociedade e das atitudes humilhantes para com as mulheres em geral, elas reagiram com intensa hostilidade, muitas vezes sem proporção com uma determinada provocação. Espectadores prudentes sabiamente saíam do caminho quando um javali de Cálidon encontrava um porco chauvinista no início dos anos 70! Além do mais, muitas mulheres também se sentiam ofendidas e "podadas" pelas mulheres tipo Artemis que saíam em tumulto depois de tais sessões de conscientização. No mito do javali de Cálido, a mesma Atalanta que fazia correr Hipômenes encarou o javali atacante com uma lança na mão. O javali já tinha chifrado e matado muitos heróis famosos que haviam tentado matá-lo. Seu couro era mais rijo do que uma armadura. Dependia dela pôr fim à vida da fera ou ser destruída. Esperou até que o javali estivesse quase em cima dela, fez cuidadosa pontaria, e depois atirou a lança num olho, seu único lugar vulnerável, para acertar o alvo. A raiva destruidora da mulher tipo Artemis pode ser contida apenas pelo que fez Atalanta. A mulher tipo Artemis deve confrontar diretamente sua própria destrutividade. Deve vê-la como um aspecto de si mesma ao qual deve pôr fim antes que essa destrutividade a consuma e arruine seus relacionamentos. Encoraja-se confrontar o javali interior, pois fazê-lo significa que a mulher deve ver quanto mal fez a si própria e aos outros. Ela não pode mais se sentir justa e poderosa. A humildade é a lição que a faz retornar ao seu lado humano-ela se torna bem consciente de que também ela é alguém com defeitos humanos, e não uma deusa vingadora.
Inacessibilidade
Artemis foi chamada de "a distante Artemis". A distância emocional é uma característica da mulher tipo Artemis, que está tão concentrada em seus próprios objetivos e tão atenta que falha em notar os sentimentos dos que estão ao seu redor. Como consequüência de sua falta de atenção, aqueles que se interessam por sua pessoa sentem-se insignificantes e excluídos, e ficam magoados e zangados com ela. Além disso, ela deve tomar consciência antes de poder mudar. A esta altura, a mulher tipo Artemis precisa ouvir e considerar o que os outros dizem. Eles por sua vez fariam melhor em esperar até que ela não estivesse concentrada num projeto predileto e pudesse voltar seu ponto de convergência para eles. Artemis era uma deusa do tipo "agora você a vê, agora não a vê" que podia desaparecer pela floresta, como os animais selvagens, que algumas vezes podem ser vistos e outras vezes não. Quando a distância emocional é um efeito colateral inadvertido de intensa concentração, um desejo sincero de permanecer em contato e acessível àqueles que importam pode abrandar essa tendência.
Crueldade
Artemis foi muitas vezes uma deusa cruel. Por exemplo, o caçador Actéon inadvertidamente intrometeu-se com ela e perdeu o bom senso de reconhecer que olhar estupidamente para uma deusa nua era grande ofensa. Então Artemis o transformou num veado que foi espedaçado por seus próprios cães de caça. E quando a convencida Níobe humilhou Leto, mãe de Ártemis e Apolo, os gêmeos por sua vez defenderam a honra de Leto, sem misericórdia. O desgosto diante dos erros feitos, a lealdade para com os outros, a força para expressar um ponto de vista e a propensão para começar a agir podem ser características muito positivas de Ártemis e de mulheres tipo Ártemis. Mas a crueldade da punição que elas impõem pode ser apavorante: todos os doze filhos de Níobe foram mortos pelos arqueiros gêmeos de tal forma que ela não tinha nada do que se vangloriar. A falta de misericórdia surge muitas vezes quando a mulher tipo Ártemis julga as ações dos outros em termos de absoluto preto-no-branco. Nessa perspectiva, não somente uma ação é toda má ou toda boa, mas a pessoa que faz tal coisa o é também. Portanto, a mulher tipo Ártemis sente-se defendida se ela tira desforra ou pune. Ela precisa desenvolver a compaixão e a empatia, que devem vir com a maturidade para desenvolver essa atitude. Muitas mulheres tipo Ártemis entram na idade adulta sentindo-se autoconfiantes e invulneráveis. com a experiência da vida, contudo, sua compaixão pode desenvolver-se à medida que elas também sofrem, são mal julgadas ou fracassam em algum aspecto. Se a mulher Ártemis aprende como experimentar ser vulnerável e torna-se mais compreensiva; se ela descobre que as pessoas são mais complexas do que pensava; e se perdoa aos outros e a si própria por cometer enganos, então essas lições aprendidas a tornarão mais misericordiosa.
A escolha crucial: sacrificar ou salvar Ifigênia
Um último mito sobre Ártemis fala de uma escolha significativa para a mulher tipo Ártemis. É o mito de Ifigênia, e a escolha envolve o papel de Ártemis como salvadora de Ifigênia ou como causadora de sua morte. Na história da guerra de Tróia, os navios gregos agrupavam-se no porto grego deÁulis antes de partir para Tróia. Lá a frota ficou parada, pois o vento não surgia para enfunar a vela. Convencido de que a calmaria era provocada por um deus, Agamêmnon, o comandante das forças gregas, consultou o profeta da expedição. O profeta declarou que Ártemis tinha sido ofendida e que poderia ser acalmada apenas com o sacrifício de Ifigênia, a filha de Agamêmnon. A princípio Agamêmnon resistiu mas, com o passar do tempo, e como os homens se tornavam mais zangados e indisciplinados, ele enganou sua esposa Clitemnestra que trouxe Ifigênia até ele, com o pretexto de que ela ia se casar com o herói grego Aquiles. Ao contrário, ela foi preparada para o sacrifício: sua vida em troca de promissores ventos que poderiam levar a frota à guerra. O que aconteceu depois é contado em duas versões. De acordo com uma delas, a morte de Ifigênia foi realizada conforme exigência de Ártemis. De acordo com a outra, Ártemis intercedeu no momento exato em que Ifigênia ia ser sacrificada, substituindo-a por uma corça, e levou-a para Táurida, onde ela se tornou uma das sacerdotisas de Ártemis. Esses dois desenlaces podem representar os dois possíveis efeitos de Ártemis. De um lado, ela livra do patriarcado as mulheres e os valores femininos, pois o mundo patriarcal desvaloriza ou oprime ambos. De outro, com seu intenso enfoque nos objetivos, ela pode também exigir tal sacrifício da mulher e desvalorizar o que foi tradicionalmente considerado "feminino" - as qualidades receptivas, desejosas de fazer sacrifícios em benefício dos outros. Toda mulher tipo Ártemis provavelmente tem algo nela que é como Ifigênia - algo jovem, confiante, bonito, que representa sua vulnerabilidade, seu potencial para a intimidade, e sua dependência em relação aos outros. Ela salvará e protegerá esse aspecto de si mesma de tal forma que possa desenvolver-se, até mesmo quando muda de posição no decorrer da vida, objetivando o que lhe interessa? Ou determinará que atem esse aspecto de Ifigênia em si mesma, para que seja tão enfocada, enérgica e clara quanto possível?
Caminhos para o crescimento
Para desenvolver-se além de Ártemis, a mulher deve cultivar seu potencial menos consciente, receptivo, orientado para o relacionamento. Precisa tornar-se vulnerável, aprender a amar e interessar-se profundamente por outra pessoa. Se isso acontecer, talvez seja um relacionamento - em geral com um homem que a ama, algumas vezes com outra mulher, ou tendo um filho. Freqüentemente esse progresso pode ocorrer somente depois que a mulher tipo Ártemis tiver "se esgotado", depois que ela tiver objetivado uma porção de metas e as tiver alcançado ou fracassado, após a emoção da caça, da corrida, ou quando a busca perdeu o encantamento. Um homem que a ame pode ter que esperar até aí, e até que ele tenha conseguido alguma ajuda de Afrodite.
O mito de Atalanta:
metáfora para o crescimento psicológico
Atalanta foi uma heroína cuja coragem e capacidades como caçadora e corredora eram iguais às de qualquer homem. Foi abandonada no topo de uma montanha, logo depois de seu nascimento. Encontrada e alimentada por uma ursa, tornou-se uma bela mulher. Um caçador chamado Meléagro tornou-se seu amante e companheiro. E o par de caçadores ficou bem conhecido e famoso por toda a Grécia, principalmente por sua participação na caça ao javali de Cálidon. Meléagro morreu nos braços dela pouco depois disso. Então Atalanta deixou a montanha, onde juntos caminhavam, para se confrontar com seu pai e ser reconhecida como herdeira de seu trono. A essa altura muitos pretendentes se apresentaram para pedir sua mão em casamento, mas ela tratou a todos eles com desdém. Quando surgiu um clamor para que ela escolhesse entre eles, disse que se casaria com o homem que pudesse vencê-la numa corrida a pé. Se ele ganhasse, ela se casaria com ele; se perdesse, ele perderia o direito de viver. Corrida após corrida se sucedeu, com os pés ágeis de Atalanta sempre na liderança. Finalmente, o não atlético Hipômenes, que realmente a amava, decidiu participar da corrida, embora isso provavelmente lhe fosse custar a vida. Na noite anterior ao acontecimento ele orou a Afrodite, deusa do amor, pedindo proteção. Ela ouviu seu pedido e lhe deu três maçãs de ouro para usar na corrida.
Maçã 1: Consciência da passagem do tempo. No início da corrida, Hipômenes atirou a primeira maçã de ouro no caminho de Atalanta. Ela ficou atraída pela beleza de seu brilho e diminuiu a velocidade para pegá-la. Hipômenes ganhava terreno na corrida enquanto ela olhava fixamente a maçã de ouro em sua mão. com o reflexo, ela viu seu próprio rosto, distorcido pelas curvaturas da maçã: "É assim que vou ser quando ficar velha", pensou ela. Muitas mulheres atarefadas ficam inconscientes do passar do tempo, até que num dado momento, na meia-idade, os desafios da competição ou do alcançar os objetivos diminuem. Pela primeira vez na vida, tal mulher pode tornar-se ciente de que sua juventude não é eterna, e começa a ponderar sobre a trajetória que está percorrendo e para onde ela a conduz.
Maçã 2: Consciência da importância do amor. Depois ele atirou a segunda maçã no seu caminho. Atalanta, mais uma vez, concentrou-se na corrida e facilmente ganhou de Hipômenes. Quando parou para ver a segunda maçã de ouro de Afrodite, as lembranças de Melagro, seu amante falecido, brotaram dentro dela. Desejos ardentes de intimidade física e emocional foram excitados por Afrodite. Quando isso é combinado com a consciência de que o tempo está passando, o enfoque usual da mulher tipo Artemis é desviado para uma nova receptividade ao amor e à intimidade.
Maçã 3.-Instinto gerador e criatividade. A reta final estava na mira quando Atalanta empatou a partida até mesmo com Hipômenes. Ela estava quase para ultrapassá-lo e ganhar, quando Hipômenes deixou cair a terceira maçã de ouro. Por uma fração de segundo, Atalanta hesitou: ela passaria o limite final e ganharia a corrida, ou pegaria a maçã e perderia? Atalanta decidiu-se pela maçã, exatamente quando Hipômenes atravessou a linha final para ganhar a corrida e tê-la como esposa. O instinto procriativo de Afrodite, ajudado por Deméter, modera a atividade de muitas mulheres atarefadas e concentradas num objetivo, quando chegam os últimos anos da casa dos trinta. As mulheres que fazem carreira são muitas vezes pegas de surpresa pela urgência constrangedora de terem um filho. A terceira maçã de ouro também pode representar outra criatividade além da biológica. O empreendimento pode tornar-se menos importante após a meia-idade. Em seu lugar, a generatividade representada por Afrodite é dirigida no sentido de transformar a experiência em alguma forma de expressão pessoal. Se o conhecimento de Afrodite é induzido através do amor de outra pessoa, então a unilateralidade da mulher tipo Artemis, por mais satisfatória que tenha sido, pode abrir caminho para a possibilidade da totalidade. Ela pode voltar-se para seu interior, a fim de refletir sobre o que é importante para si mesma, e tornar-se intimamente dirigida tanto quanto exteriormente focalizada. Torna-se ciente de que tem necessidade tanto de intimidade quanto de independência. Uma vez que reconheça o amor - como Atalanta - terá momentos de decisão para concluir por si mesma sobre o que é mais importante.
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