sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As Deusas... cont...

Bom, essa é a parte mais chatinha da história, mas é necessário pra entender melhor depois as descrições de cada arquetipo... boa viagem... e bom fim de semana...
Ah, só pra lemvrar, os textos não são meus são originais do livro da Jean Shinoda Bolen... inclusive tem em pdf pra quem quiser baixar no 4shared... bjooooos...



As deusas e os estágios da vida

A mulher particular pode passar por muitas fases na vida. Cada fase pode ter sua própria deusa ou deusas influentes. Ou ela pode viver um padrão de deusa que a conduz através de sucessivos estágios. Quando as mulheres fazem uma retrospectiva de suas vidas elas freqüentemente podem reconhecer quando uma ou diversas deusas foram mais importantes ou mais influentes que outras.
Enquanto jovem adolescente, ela pode ter convergido para a sua educação. Enquanto eu estava de passagem pela escola de medicina, o arquétipo de Ártemis conservou-me centrada no objetivo. Entretanto, apelei para as habilidades de Atenas para aprender procedimentos e fatos, os quais me conduziriam a fazer diagnose baseada em descobertas clínicas e laboratoriais. Em contraste, minhas colegas de faculdade que se
Casaram e que tiveram filhos logo após terem se graduado, estavam apelando para Hera e Deméter. A meia-idade é uma época de transição, e freqüentemente conduz a uma troca de deusas. Aproximadamente na idade entre trinta e cinco e quarenta e cinco anos, o arquétipo prevalente mais forte dos anos antecedentes enfraquece a sua intensidade, permitindo que apareçam outras deusas. Os resultados do esforço introduzido no que quer que ocupe os primeiros anos da vida adulta de uma mulher – casamento e filhos, carreira, esforço criativo, um homem, ou uma associação - são evidentes. Mais energia torna-se disponível para alguma coisa mais, e isso é convite para que outra deusa manifeste sua influência. Atenas a influenciaria a ir para uma escola graduada Ou prevaleceria o desejo de Deméter de ter um filho - num tempo em que se dizia: "ou agora ou nunca"? A seguir vem outra transição mais tardia na vida, quando a deusa ainda pode novamente mudar. O período pós-menopausa pode anunciar uma mudança como acontece com a viuvez, a aposentadoria, ou o sentir-se como pessoa idosa. A mulher viúva que pela primeira vez deve lidar com o dinheiro descobriria uma Atenas oculta
e verificaria que ela é capaz de entender de investimentos? O isolamento não desejado tornou-se uma solidão confortável porque Héstia é agora conhecida? Ou a vida tornou-se agora sem significado e vazia, porque Deméter não tem ninguém para criar? Como em cada outro estágio da vida, o resultado para a pessoa depende das deusas ativadas em sua psique, das realidades de sua situação e das escolhas que ela faz.

As deusas virgens: Artemis, Atenas e Héstia

As três deusas virgens da mitologia grega são Artemis, deusa da caça e da lua; Atenas, deusa da sabedoria e das artes, e Héstia, deusa da lareira e do templo. Essas três deusas personificam os aspectos independentes e ativos da psicologia das mulheres.
Artemis e Atenas são arquétipos orientados para o exterior e a realização, enquanto Héstia é enfocada interiormente. Todas as três representam, nas mulheres, impulsos interiores para desenvolverem talentos, perseguirem interesses, resolverem problemas, competirem com outras, expressaremse articuladamente com. palavras ou formas artísticas, colocarem seus ambientes em ordem, ou levarem vidas contemplativas. Cada mulher que já desejou "um espaço todo seu", ou se sente em casa quando em contato com a natureza
ou se encanta em imaginar como alguma coisa funciona, ou que aprecia a solidão tem um parentesco com uma dessas deusas.
O aspecto da deusa virgem é o da mulher que não pertence ou é "impenetrável" ao homem - que não é afetada pela necessidade de um homem ou pela necessidade de ser aprovada por ele, que existe completamente separada dele, em seu próprio direito. Quando a mulher está vivendo um arquétipo de virgem, isso significa que um aspecto significativo seu é psicologicamente virginal, e não que ela seja fisicamente ou literalmente virgem. O termo virgem significa não maculado, puro, não pervertido, não usado, não cultivado, intocável e não manejado "pelo homem", como no solo virgem, na floresta virgem; ou não previamente submetido a um processo químico, como acontece com a lã virgem. O óleo virgem é o óleo feito da primeira prensagem das azeitonas ou nozes, extraído sem aquecimento (metaforicamente não tocado pelo aquecimento da emoção ou da paixão).
Metal virgem é o que se acha na forma natural, genuíno e puro, como acontece com o ouro virgem. Dentro de um sistema religioso e um período histórico dominados por deuses masculinos, Ártemis, Atenas e Héstia salientam-se como exceções. Elas nunca se casaram, nunca foram dominadas, seduzidas, violadas ou humilhadas pelas divindades masculinas
ou pelos mortais. Permaneceram intactas, invioladas. Somente essas três, de todos os deuses, deusas e mortais ficaram indiferentes ao irresistível poder de Afrodite, a deusa do amor, que inflama paixão, incita desejos eróticos e sentimentos românticos. Elas não foram induzidas ao amor, à sexualidade ou à louca paixão.

O arquétipo da deusa virgem

Quando uma deusa virgem - Ártemis, Atenas ou Héstia - é um arquétipo dominante, a mulher é, conforme a analista junguiana Esther Harding escreveu em seu livro Os mistérios da mulher, uma-em-si-mesma. Um aspecto importante de sua psique "não pertence a nenhum homem".
M. Esther Harding, "A deusa virgem", in Os mistérios da mulher, Edições Paulinas, São Paulo, 1985, pp. 164ss.

Conseqüentemente, como descreveu Harding: "a mulher que é virgem, uma-em-si-mesma, age como age não por causa de qualquer desejo de agradar, nem para ser desejada ou aprovada, até mesmo por si própria, nem por qualquer desejo de sobrepujar-se a uma outra pessoa, atrair seu interesse ou seu amor, mas porque o que ela faz é verdadeiro. Seus atos podem, de fato, não ser convencionais. Pode ter que dizer não, quando seria mais fácil e mais adaptado, convencionalmente falando, dizer sim. Mas, como virgem, ela não é influenciada pelas considerações que fazem com que a mulher
não virgem, quer seja casada ou não, se conforme e se adapte à conveniência". Se a mulher é uma-em-si-mesma, ela será motivada pela necessidade de seguir valores, fazer o que tem sentido ou satisfazer-se, independentemente daquilo que as pessoas pensam.
Psicologicamente, a deusa virgem é aquele aspecto da mulher que não foi afetado pelas expectativas coletivas sociais e culturais, determinadas pelo sexo masculino, daquilo que uma mulher deveria ser, ou por um julgamento individual que alguém do sexo masculino faz dela. O aspecto da deusa virgem é uma pura essência de quem é mulher e daquilo que ela valoriza. Ele permanece imaculado e não contaminado porque ela não o revela, porque o mantém sagrado e inviolado, ou porque o expressa sem modificação para
refletir os padrões masculinos.
O arquétipo da virgem poderia manifestar-se como aquele aspecto de uma mulher que é secreta ou publicamente feminista. Pode ser expresso por uma ambição que as mulheres são desencorajadas de perseguir - tal como o desejo da aviadora Amélia Earhart de voar para onde nenhum piloto antes voara. Ou pode ser a criatividade da mulher como poeta, pintora, musicista, fazendo trabalhos que se desenvolvem fora de sua experiência como mulher, tais como a poesia de Adrienne Rich, as telas de Judy Chicago, ou as balada que Holly Near escreve e canta. Ou pode ser expresso como uma prática meditativa, ou como o trabalho da parteira. Muitas mulheres se unem para criar formas que são "de mulheres". Os grupos de elevação consciente das mulheres, a veneração da deusa no cume das montanhas, as clínicas médicas de auto-ajuda às mulheres e os mutirões de artesanato são expressões do
arquétipo da deusa virgem manifestando-se através de grupos de mulheres.
Qualidade da percepção: como luz nitidamente focalizada. Cada uma das três categorias de deusa (virgem, vulnerável e alquímica) tem uma qualidade característica de percepção.. A percepção enfocada exemplifica as deusas virgens. As mulheres que são como Ártemis, Atenas e Héstia têm a habilidade de concentrar sua atenção naquilo que lhes importa. Elas têm a capacidade de se absorverem naquilo que estão fazendo. No processo de serem enfocadas, elas podem excluir facilmente tudo o que for alheio à tarefa presente ou ao objetivo de longo alcance. Penso na percepção enfocada como uma luz nitidamente focalizada, intencionalmente dirigida, intenso raio de luz que ilumina apenas o que é focalizado, deixando tudo o que está fora de seu raio no escuro ou nas sombras. Na sua forma mais concentrada, a
percepção enfocada pode ser ainda semelhante a um raio laser, tão penetrante ou cortante em sua habilidade de analisar, que pode ser incrivelmente preciso ou destrutivo, dependendo da intensidade e no que ele é focalizado.
"Consciência enfocada", como descreve Irene Claremont de Castillejo, é considerado um atributo do animus ou dos homens: "O poder de focalizar é o maior dom do homem, mas não é uma prerrogativa do homem; o animus desenvolve o mesmo papel na mulher". "É somente quando ela necessita de um tipo enfocado de consciência que o auxílio do animus é requerido".
Cf. Claremont de Castillejo,.K>ioi<;íreg Woman, cap. 5, "The
Animus-Friend or Foe", Putnam's, New York, para a C. G. JungFoundation for Analytic Psychology 1973, pp. 77-78.

Estou usando sua terminologia, mas não concordo com a sua afirmação, baseada no modelo da psicologia das mulheres feita por Jung, de que a consciência enfocada é sempre um atributo masculino. Quando a mulher sabe dar enfoque à solução de um problema ou ao alcance de um objetivo, quando não é interrompida pela carência daqueles que a cercam, não prestando
atenção até mesmo às suas necessidades de alimentar-se ou de dormir, ela tem capacidade de enfoque consciente que a conduz a realizações. Trata de tudo o que está fazendo com sua atenção total. Tem mentalidade unidirecionada, a qual permite que ela faça aquilo que decide fazer. Quando se concentra em objetivos exteriores ou qualquer que seja a
tarefa à mão - como é característico de Ártemis e Atenas - o enfoque é de realização orientada. Danielle Steel escreveu dezessete romances dos quais foram vendidos mais de 45 milhões de exemplares. Ela exemplificou esse tipo de percepção enfocada. Descreve-se como "uma super empreendedora" e diz: "É muito intenso. Usualmente trabalho vinte e quatro horas por dia, dormindo de duas a quatro horas. Isso perdura sete dias por semana, durante seis semanas" (até que o romance esteja acabado).
Marty Olmstead, "The Midas Touch of Danielle Steel", United (United Airlines Flight Publication), março de 1982, p. 89.
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Quando o enfoque se volta para o interior, em direção a um centro espiritual - o foco direcional de Héstia - a mulher na qual esse arquétipo é forte pode meditar
por longos períodos, sem se perturbar com o mundo que a cerca ou com os
desconfortos advindos de ter que se manter numa determinada posição.

Padrões de vida e de comportamento

Qualidades da deusa virgem são exemplificadas por mulheres que seguem suas próprias inclinações para se tornarem nadadoras competitivas, feministas ativas, cientistas, peritas em estatística, executivas, donas de casa, amazonas; são também exemplificadas como mulheres que vão para os conventos ou locais de retiro religioso. Para desenvolverem seus talentos e enfocarem a busca do que tem valor pessoal as mulheres-protótipo da deusa virgem freqüentemente evitam o desempenho dos papéis tradicionais das mulheres.
Como fazer isso, isto é, como ser coerentes consigo mesmas e se adaptar a viver no "mundo dos homens", é o desafio. Na mitologia, cada uma das deusas virgens encarou um desafio semelhante, e desenvolveu uma solução diferente.

Artemis, a deusa da caça, abandonou a cidade, evitou o contato com os homens e passou sua vida na selva com seu grupo de ninfas. Sua maneira de se adaptar era separar-se dos homens e de sua influência. Essa maneira é análoga à das mulheres contemporâneas. Elas se unem a grupos de conscientização e tornam-se feministas aplicadas em definir a si próprias e suas prioridades; ou trabalham em grupos dirigidos por mulheres e em firmas que estão a serviço das necessidades das mulheres. As mulheres tipo Artemis também são representadas por "individualistas rígidas", que se movem sozinhas e fazem o que lhes interessa, sem amparo pessoal ou aprovação dos homens, como também das mulheres.

Atenas, em contraste, deusa da sabedoria, unia-se aos homens como seus iguais ou como uma supervisora do que eles faziam. Era a pessoa mais calma na batalha e a melhor estrategista. Sua maneira de se adaptar era a identificação com os homens - ela se tornava como um deles. A atitude de Atenas tem sido seguida por muitas mulheres que se unem ao mundo das corporações ou que têm sucesso em ocupações exercidas tradicionalmente pelos homens.



Héstia, deusa da lareira, seguiu um modo introvertido de adaptação, marcado pelo retraimento em relação aos homens. Ela se retraiu interiormente, tornou-se anônima e foi deixada sozinha. A mulher que adota esse modo de vida negligencia sua feminilidade para não atrair o interesse masculino, para evitar situações competitivas e viver calmamente, pois ela valoriza e cuida das tarefas diárias ou da meditação que dá sentido à sua vida.

As três deusas virgens não se alteraram por suas experiências com os outros. Elas nunca foram dominadas por suas emoções, nem por outras divindades. Eram invulneráveis ao sofrimento, intocáveis nos relacionamentos e inacessíveis a transformações. Da mesma forma, quanto mais ajustada estiver a mulher em sua trajetória própria, tanto mais provável também que ela não seja profundamente afetada pelos outros. Esse enfoque pode desligá-la de sua própria vida emocional e instintiva, como também impedir de estabelecer vínculos com os outros. Psicologicamente falando, a menos que ela tenha sido "penetrada", ninguém "conseguiu desvendar seu íntimo". Ninguém lhe importa realmente, e ela não conhece a intimidade emocional. Portanto, se uma mulher se identifica com o padrão da deusa virgem, ela talvez leve uma vida unilateral e freqüentemente só, sem qualquer "outra pessoa verdadeiramente significativa". Contudo, embora uma deusa permaneça limitada ao desempenho de seu papel, a mulher pode crescer e modificar-se no curso de sua vida. Embora seja por natureza semelhante a uma deusa virgem, ela pode também descobrir que Hera tem algo a lhe ensinar sobre afinidades compromissadas; pode sentir a comoção do instinto maternal e aprender com Deméter; ou pode repentinamente se apaixonar e descobrir que Afrodite também faz parte de seu ser.

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